<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544</id><updated>2012-01-09T16:28:39.485-08:00</updated><title type='text'>JOIAS DO PENHOR</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>24</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544.post-6360271983876606321</id><published>2011-11-20T04:34:00.001-08:00</published><updated>2011-11-20T04:39:05.511-08:00</updated><title type='text'>A medalhinha do Zezé</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Athos Ronaldo Miralha da Cunha&lt;br /&gt;twitter.com/athosronaldo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas mudanças internas da agência o segmento penhor foi rebaixado em dois andares. Mas as mudanças acontecem para melhor. O atendimento ficou mais discreto com um anteparo entre os guichês para os clientes não ficarem bisbilhotando os penhores dos outros.&lt;br /&gt;Então, a senhorita Doroteia – era assim que a jovem cliente de 44 anos gostava de ser chamada – chegou ao guichê com um sorriso silencioso e com o dedo indicador fazendo voltas no ouvido. Coisa de doido! Sussurrava algo que não consegui ouvir e apontando para a cliente ao lado. O interessante que com o indicador fazia as voltas no ouvido e apontava com o polegar. Falava tão baixinho que custei a entender.&lt;br /&gt;– Me deve...&lt;br /&gt;– !?&lt;br /&gt;– É louca...&lt;br /&gt;– !?&lt;br /&gt;Pediu uma folha de rascunho. Entreguei uma folhinha do bloco de anotações –, aquele que fomos brindados com o Sinergia – e alcancei para a senhorita Doroteia.&lt;br /&gt;Baixou a cabeça e me entregou o bilhete junto com as joias a serem penhoradas. O lote era formado por duas pulseiras-argola, um pendente e o bilhete com os dizeres “ex-colega, rabugenta e me deve”. Olhei para a senhorita Doroteia e ela estava sorrindo. Sorria apontava com o polegar para o guichê ao lado.&lt;br /&gt;– Duas pulseiras e um pendente – falei.&lt;br /&gt;– A medalhinha do Zezé.&lt;br /&gt;É lógico que quando ela falou “medalhinha do Zezé” eu comecei a cantarolar a marchinha de carnaval “Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é”. Mas eu acho que não é ouro... testei.&lt;br /&gt;Havia ganhado a medalhinha do Zezé num show da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano. Está com dó de penhorar a medalhinha. Ela quase desabou da cadeira quando eu devolvi afirmando.&lt;br /&gt;– Não é ouro... é biju!&lt;br /&gt;– Mas que cachorro esse Zezé.&lt;br /&gt;– E tem mais. As pulseiras são da Bruna.&lt;br /&gt;– Da Bruna?&lt;br /&gt;– Biju da Bruna Lombardi.&lt;br /&gt;– Mas que cachorra essa Bruna.&lt;br /&gt;Levantou-se abruptamente e se foi. Sem olhar para trás rodopiou o indicador no ouvido.&lt;br /&gt;A senhora “ex-colega e rabugenta” levanta e vem falar comigo.&lt;br /&gt;– Aquela moça que o senhor atendeu...&lt;br /&gt;– A senhorita Doroteia?&lt;br /&gt;– Senhorita? Faz cinquenta anos que ela senhorita. Senhorita falcatrua, isso que ela é.&lt;br /&gt;Esboçou um sorriso irônico e voltou para o guichê onde estava sendo atendida.&lt;br /&gt;Em poucos segundo voltou para meu guichê.&lt;br /&gt;– Estávamos num show em Porto Alegre. O Zezé di Camargo me atirou uma medalhinha de presente e a senhorita – e fez com as mãos o sinal de aspas – se atirou na minha frente e pegou a medalhinha.&lt;br /&gt;As rusgas estavam explicadas. Voltou para o seu posto e espero que em definitivo, pois a colega já terminava a avaliação. Então, ouvi a seguinte frase sobre as joias da “ex-colega e rabugenta”.&lt;br /&gt;– Suas pulseiras são bijuterias. Não dá penhor...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2586213179148378544-6360271983876606321?l=joiasdopenhor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/6360271983876606321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2586213179148378544&amp;postID=6360271983876606321' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/6360271983876606321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/6360271983876606321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/2011/11/medalhinha-do-zeze.html' title='A medalhinha do Zezé'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544.post-6515094109536391014</id><published>2011-11-16T17:10:00.000-08:00</published><updated>2011-11-16T17:15:28.899-08:00</updated><title type='text'>A Complicação Artérielle – Não vimos no curso de relógios</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Athos Ronaldo Miralha da Cunha&lt;br /&gt;twitter.com/athosronaldo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na formação do avaliador de penhores está incluído o conhecimento sobre relógios. E nas primeiras páginas do polígrafo, somos apresentados a máquina do relógio a corda.&lt;br /&gt;Assim, quando abrimos a caixa aprendemos que Ebauche é o que sobra do relógio se você tirar os ponteiros, o mostrador e a caixa. É o que faz o bicho funcionar.&lt;br /&gt;A partir dessa aula teremos que nos familiarizar com a roda de carga da coroa, roda de carga do tambor, roda de carga, tambor da coroa, terceira roda, quarta roda, roda de escape, ancora, balanço e espiral. Calma! Isso não é um carro de Fórmula 1. E um monte de nomes que fazem dessa maquineta os anseios de apaixonados pelo mundo dos relógios. A isso chamamos “trem de rodagem”. É fascinante essa micro-engenharia em pleno funcionamento.&lt;br /&gt;Nós podemos compreender o avanço tecnológico da humanidade estudando a história dos relógios. Por exemplo, a passagem do relógio a corda para o automático, foi um marco histórico. Imaginem: o balanço dos braços dava corda no relógio. E entra mais um nomezinho estranho: rotor ou massa oscilante. Massa oscilante não é a mesma coisa que a galera fazendo a "ola" no Beira-Rio.&lt;br /&gt;Quando entrou o relógio a quartzo foi um deus-nos-acuda. Uma crise na indústria dos relógios. Nesses relógios nos percebemos que existe a “válvula de hélio”. Uma saída vip para o gás Helio que entrou na caixa do relógio sem ser convidado. Foi assim que eu guardei a explicação. E esqueci os termos técnicos.&lt;br /&gt;E o capitulo das complicações então? Aquilo tudo que o relógio faz além de fornecer as horas chamamos de complicações. Data, calendário anual e calendário perpétuo são complicadores e esse calendário perpétuo só será ajustado no ano de 2100, que será um ano bissexto anômalo. Ou seja, estaremos na paz da tumba e o relógio estará funcionando perfeitamente.&lt;br /&gt;Temos as complicações que nos dão as fases da lua e a equação do tempo. A diferença entre a hora solar absoluta e a hora convencional. Só não me perguntem para que serve saber essa diferença de alguns míseros minutos.&lt;br /&gt;A complicação Régulateur – que lemos regulatê –, nesse relógio os ponteiros das horas, minutos e segundos estão descentralizados. Não estão no mesmo eixo.&lt;br /&gt;As complicações são inimagináveis. Tem um fulano que se autodenomina “Rei das Complicações”. E o brinquedinho que o cara inventa pode chegar a 4 milhões de euros. Coisa que nós podemos comprar com uma parcela da nossa PLR.&lt;br /&gt;E os cronógrafos? Na atual conjuntura, muito usado pelos ministros em suas contagens regressivas. Se bem que os relógios retrógrados – o ponteiro não faz uma rotação completa – também têm uma boa aceitação no congresso.&lt;br /&gt;Enfim, o mundo físico dos relógios é pequeno, mas vasto e apaixonante. E eu já estou pensando numa complicação. Uma complicação que vou chamar de Complicação Artérielle. O relógio vai coletar o sangue, fornecer os índices de glicemia, colesterol – bom e ruim – e triglicerídeos. E também vai medir a pressão arterial. Por isso o nome Artérielle. Chique, não. Vai custar na ordem de dois milhões de euros. Somente por encomenda.&lt;br /&gt;Enquanto isso, vou ali na banca da esquina comprar o meu Rolex oyster perpetual quartz. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2586213179148378544-6515094109536391014?l=joiasdopenhor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/6515094109536391014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2586213179148378544&amp;postID=6515094109536391014' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/6515094109536391014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/6515094109536391014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/2011/11/complicacao-arterielle-nao-vimos-no.html' title='A Complicação Artérielle – Não vimos no curso de relógios'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544.post-3170773946625682730</id><published>2011-08-26T15:37:00.001-07:00</published><updated>2011-08-26T15:38:03.339-07:00</updated><title type='text'>O penhor do cabernet</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Athos Ronaldo Miralha da Cunha&lt;br /&gt;twitter.com/athosronaldo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos que saber lidar com as premonições, avisos que inexplicavelmente recebemos e, na maioria das vezes, não temos a compressão exata. O fato é que podemos pressentir algumas situações momentos antes de acontecerem.&lt;br /&gt;Explico: dia desses acordei – e não sei por que cargas d’água –, comecei a cantarolar uma música símbolo da Quarta Colônia.&lt;br /&gt;“Quando si pianta la bella polenta, la bella polenta si pianta cosi, si pianta cosi, si pianta cosi.”&lt;br /&gt;É uma bela canção e eu cantava em frente à televisão no momento em que o “Bom dia Rio Grande” fazia uma reportagem sobre uma nevasca em Gramado. Lá na Serra os turistas fazendo festa com a neve e eu ali imaginando como é que os gringos plantavam polenta.&lt;br /&gt;No caminho do serviço veio em minha mente outro clássico musical dos imigrantes italianos. Um hino da Quarta Colônia.&lt;br /&gt;“Mérica, Mérica, Mérica, cossa saralo ‘sta Mérica? Mérica, Mérica, Mérica, um bel mazzolino di fior.”&lt;br /&gt;Por que raios eu estou com essas músicas na cabeça?&lt;br /&gt;Não passou dez minutos e o telefone celular toca. Era a filha avisando que tinha que fazer a matrícula do italiano na AISM. Eu teria que fornecer os cheques pré-datados. Estava explicada a minha cantoria das músicas dos italianos. A minha parca sensitividade explicava a inspiração. Restava, naquele momento, assinar os cheques e “cia cia pum, cia cia pum, cia cia pum.”&lt;br /&gt;Lembremos que o dia estava recém começando e eu ainda viveria momentos incríveis inspirado na minha pseudossensitividade. Devidamente acomodado no meu local de trabalho, tamborilava uma tarantela diante do computador.&lt;br /&gt;Nesse instante, aproxima-se do guichê uma senhora idosa e, coincidentemente, também cantarolava a “bella polenta”. O sotaque era visível, se não era italiana, estava na barriga da mãe num navio vindo da Itália. Apresentou-se.&lt;br /&gt;– Eu me chamo Esmeraldina Mimosa Sousa de Souza. O primeiro com “s” e o segundo com “z”.&lt;br /&gt;Eu fiquei com a impressão que já tinha ouvido, em algum lugar, aquela estória de Sousa com “s” e Souza com “z”. Essa velhota está me enrolando. Com esse palavrório italiano e com sobrenome Sousa de Souza. A velha parece que leu meus pensamentos.&lt;br /&gt;– Minha mãe casou com um portuga... o Sousa com “s” e eu casei com outro portuga... o com “z”. Veja só a sina dessa família.&lt;br /&gt;Depois de uns momentos de silêncio em que me pareceu que a dona Mimosa fazia umas preces para o Diácono, ela começou a tirar umas garrafas de vinho e colocar em cima do guichê. Seis garrafas de um cabernet sauvignon da Cantina Vô Bepi.&lt;br /&gt;– Eu quero penhorar esses vinos aqui.&lt;br /&gt;Eu não sabia o que dizer. Já vi de tudo aqui no penhor. Mas penhor de vinho? Era a primeira vez. Quem sabe uns vinhos de guarda... era uma sugestão a ser colocada na ouvidoria.&lt;br /&gt;– Dona Mimosa, nós só penhoramos joias.&lt;br /&gt;– Mas esse vino é una joia...&lt;br /&gt;– Eu sei que é uma joia de vinho, comprei umas garrafas numa festa lá em Agudo. Mas infelizmente...&lt;br /&gt;Ela resmungou alguma coisa num dialeto incompreensível, mas no final se entendia um “porca miséria” que não deixava dúvidas sobre a sua indignação. Repentinamente, levantou-se e saiu.&lt;br /&gt;– Dona Mimosa, a senhora esqueceu os vinhos em cima da mesa.&lt;br /&gt;– Muito peso para levar de volta para Faxinal.&lt;br /&gt;– O que eu faço com essas garrafas?&lt;br /&gt;– Beba! Santo Cristo!&lt;br /&gt;Fazer o quê? Levei para casa as seis garrafas de cabernet e numa dessas noites geladas tomei uma delas com uma sopa de agnolini.&lt;br /&gt;Naquele dia saí da agência cantarolando “castelhana se você me ama, me ama” na esperança de que uma fogosa correntina viesse penhorar um malbec de Mendoza no dia seguinte. Afinal, eu sou um pseudossensitivo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2586213179148378544-3170773946625682730?l=joiasdopenhor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/3170773946625682730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2586213179148378544&amp;postID=3170773946625682730' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/3170773946625682730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/3170773946625682730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/2011/08/o-penhor-do-cabernet.html' title='O penhor do cabernet'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544.post-3600128937734062163</id><published>2011-04-30T05:34:00.000-07:00</published><updated>2011-04-30T05:35:25.194-07:00</updated><title type='text'>Six Six Six</title><content type='html'>Athos Ronaldo Miralha da Cunha&lt;br /&gt;twitter.com/athosronaldo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia 06.06.2006 poderia ser um dia qualquer em uma terça-feira perdida na década. Alguém, distraidamente, comentaria algo se reportando ao 09.09.1999 ou o 08.08.1988. &lt;br /&gt;Essas datas são inesquecíveis. Os místicos adoram essa sequencia lógica de números. Se reduzirmos para 06.06.06 fica mais plástica, uma data que desce redondo. Reduzindo-se ainda mais, ela fica alarmante: 666.&lt;br /&gt;Naquele dia o amanhecer foi nublado. Um prenúncio de temporal. Pelo menos foi assim que eu enxerguei aquela manhã em Santa Maria.&lt;br /&gt;Quando fui manobrar o carro para sair da garagem, raspei o para-lamas no marco da porta da garagem. Coisa que jamais havia acontecido. No deslocamento para o serviço quase atropelei duas freirinhas na faixa de segurança por pura desatenção minha. E chego no penhor rengueando por conta de um tombo no umedecido hall da agência. &lt;br /&gt;“Eu deveria voltar para casa e ficar quietinho esperando o dia passar”. Pensei antes de dar bom dia aos colegas.&lt;br /&gt;No penhor reinava a normalidade, claro, até chamar a primeira senha para atendimento. O dia anterior havia encerrado com o número 65. Então, chamei naquele dia 06.06.2006 a senha 66. E essas coincidências sempre dão um causo.&lt;br /&gt;O cidadão se aproximou com a maior calma do mundo. Estava todo de preto e de óculos escuros. Colocou sobre o guichê seis cruzes, seis garfinhos tridentes e seis foicezinhas, tudo em ouro 22 quilates. E eu fiquei imaginando quem seria louco suficiente para fazer foicezinhas de ouro. Ainda se fosse um comunista convicto – e rico – vá lá. Mas aí faltariam os martelinhos de ouro? Nesse instante lembrei do carro amassado. &lt;br /&gt;Comecei a ficar alarmado com aquelas cruzes, garfos e foices quando o cliente tira os óculos e o vermelho de seus olhos faíscam na minha retina. &lt;br /&gt;– Conjuntivite – falou diante do meu espanto e me alcançou a carteira e o CPF.&lt;br /&gt;Pelo visto as unhas também estavam com conjuntivite, pois tinham um vermelho intenso e não era pintura.&lt;br /&gt;A data de nascimento nem vou comentar, é possível imaginar, mas o nome dizia tudo. O cara se chamava Gorgo Six Six Six da Silva Silva. Filho de Hóstio da Silva e Maria Baphomet da Silva. &lt;br /&gt;Aquela montoeira de “s” deixava o nome mais horripilante, mas havia um Hóstio e uma Maria para dar um resquício de normalidade. Mas foi apenas um resquício. Tentando aparentar tranquilidade fiz uma indagação sobre o nome Hóstio de seu pai. &lt;br /&gt;– Meu avô era muito cristão – falou secamente.&lt;br /&gt;Só fiquei curioso para saber como seriam os nomes dos filhos do Gorgo. Mas eu não iria fazer essa pergunta.&lt;br /&gt;Fiz a avaliação que ficou em pouco mais de R$ 2.000,00 e que para um prazo de trinta dias dava liquido a quantia de R$ 1.666,66. E eu não acreditava no que via na tela do computador. Quase caí da cadeira.&lt;br /&gt;Entreguei a grana ao vivente – naquelas alturas eu estava em dúvida se o individuo era vivente ou se era morrente – e, prontamente, desejei uma boa semana. Estava ansioso, pois o cara poderia querer me propor um pacto. O Gorgo leu meus pensamentos. &lt;br /&gt;– O senhor quer ser um homem rico e ter todas as mulheres que quiser? – falou num tom sinistro.&lt;br /&gt;Percebendo que meu estado emocional estava abalado, sorriu e não esperou a resposta.   &lt;br /&gt;“Não, dessa vez, não. Eu fora”. – pensei e sorri amarelo.&lt;br /&gt;O meu silêncio disse tudo, mas quando Gorgo voltar para fazer a renovação eu posso mudar de ideia. Afinal, nós não tratamos em cifras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2586213179148378544-3600128937734062163?l=joiasdopenhor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/3600128937734062163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2586213179148378544&amp;postID=3600128937734062163' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/3600128937734062163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/3600128937734062163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/2011/04/six-six-six.html' title='Six Six Six'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544.post-8204987695009058504</id><published>2011-04-16T05:58:00.000-07:00</published><updated>2011-11-21T15:56:18.428-08:00</updated><title type='text'>O penhor do maragato *</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Athos Ronaldo Miralha da Cunha&lt;br /&gt;twitter.com/athosronaldo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei no hall da agência faltando pouco mais de quinze minutos para a abertura do expediente.&lt;br /&gt;A fila dava voltas no ambiente do autoatendimento. O primeiro cliente, que estava próximo da porta giratória, chamou atenção por ser um gaúcho pilchado a capricho. Todo na estica – como diria uma saudosa tia de Rio Pardo –, devidamente paramentado para o desfile farroupilha de 20 de setembro, ou para um baile no Sentinela da Querência. E o mais estranho é que estava com os arreios a tiracolo. Será que o tordilho ficou na frente da agência?&lt;br /&gt;Imaginei, sem maiores preocupações, que o bombachudo da fila não seria cliente potencial para fazer penhor. O que um gaúcho com vistoso lenço vermelho, bigode de causar inveja ao Guri de Uruguaiana e longas melenas traria para colocar no penhor?&lt;br /&gt;Em outros tempos eu teria observado uma aliança, anel ou uma corrente de relógio de bolso, mas nada estava mais evidente que os tais arreios a tiracolo.&lt;br /&gt;– O maragato não vai para o penhor. “Minha casa, minha vida” é o “destino do peão” – afirmei, cantarolando a música do Noel Guarani.&lt;br /&gt;Dois minutos após abertura da agência eu mordi a língua. O maragato dos quatro costados havia entrado no recinto do penhor. O fulano estava transformado em chapéu, bigode e lenço. E os arreios de arrasto por uma das mãos.&lt;br /&gt;Quando apertei o botão das senhas eu me lembrei de uns versos do “Bochincho” de Jaime Caetano Braum “e foi ele que se veio”. Largou em cima do guichê um buçal, um par estribos e um par de esporas. Todos os apetrechos de prata 600.&lt;br /&gt;Eu fiquei pensando no que iria dizer para o gaudério. Quando comecei a falar sobre os penhores de prataria, imaginando o guasca adentrando, batendo esporas, na agência Sé em São Paulo, o vivente puxou da cintura uma enorme faca. Uma adaga de prata que colocou os vigilantes de prontidão. Aquilo foi um alvoroço.&lt;br /&gt;– Foi do meu bisavô. O velho peleou ao lado de Antonio de Souza Neto na revolução Farroupilha.&lt;br /&gt;Senti um arrepio na espinha. Num primeiro instante levei um baita susto, achando que fosse um assalto. Mas percebi que a adaga também era prateada e me acalmei. Mas o coração bateu no compasso de um chacarera.&lt;br /&gt;Depois das devidas explicações sobre os penhores de prata o vivente recolheu aquela tralha toda. Botou, novamente, a adaga na cintura e ficou se lamentando do pouco valor do metal. Afinal, era uma sesquicentenária adaga Farroupilha. Então, colocou sobre o guichê um par de alianças, uma corrente para relógio e um patacão com a efígie de Dom Pedro II – uma raridade – segundo o bigodudo dono. Sorriu com o canto da boca ao perceber meu espanto com antiga moeda.&lt;br /&gt;O teste das alianças deu ouro baixo e a corrente ouro dezoito. O gaúcho observava atentamente o meu manejo com os ácidos.&lt;br /&gt;– O que é a ciência... – falou a esmo e não se conteve. – O senhor testa dente de ouro?&lt;br /&gt;– Claro, me alcance que a gente já fica sabendo se é ouro.&lt;br /&gt;Abriu um sorriso de orelha a orelha e os caninos reluziram o metal nobre em minha frente. Com o indicador apontou para a própria boca.&lt;br /&gt;– O senhor viu o que os ácidos fizeram com o ouro das alianças. Imagina o que fariam com sua língua?&lt;br /&gt;Como por encanto o sorriso estancou. E franziu as sobrancelhas.&lt;br /&gt;– Deixa quieto – falou mostrando desinteresse.&lt;br /&gt;Fechado o acordo para fazer o contrato, solicitei a documentação. Percebi, logo, que o gaúcho era conterrâneo de Santiago do Boqueirão – terra dos poetas – e tocaio de Caio Fernando Abreu.&lt;br /&gt;– Muito bem seu...&lt;br /&gt;– Caio Fernando Saraiva – e repetiu enfaticamente ajeitando o bigode com as mãos. – Saraiva. Saraiva.&lt;br /&gt;Resolvi provocar o vivente. E fiz uma pergunta sobre o passado de Caio Fernando Abreu.&lt;br /&gt;– Caio Fernando Abreu foi patrão de um CTG em Santiago na década de 70? O Caio era um bombachudo mais grosso que dedo destroncado. E era um baita domador. Não havia bagual, em toda a região das Missões, que derrubasse o rapazola. Só tinha um defeito, era Chimango. Não era?&lt;br /&gt;– Deixa quieto. Deixa quieto. – falou, sorrindo, para não se comprometer.&lt;br /&gt;Então, percebi que toda vez que não queria falar ou emitir opinião dizia “deixa quieto”. Para não cair no politicamente incorreto resolvi também “deixar quieto”.&lt;br /&gt;Entreguei o dinheiro para o Caio Fernando Saraiva que colocou tudo na guaiaca e se foi rumo ao elevador, mas sem antes dar um tropicão no totem do penhor logo adiante. Sorriu amarelo e seguiu.&lt;br /&gt;Então me dei por conta em saber como é que o taura entrou pela porta detectora de metais com aquela adaga de prata. E eu mesmo respondi. – Deixa quieto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;* Crônica classificada no 18 concurso Histótria de Trabalho 2011.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2586213179148378544-8204987695009058504?l=joiasdopenhor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/8204987695009058504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2586213179148378544&amp;postID=8204987695009058504' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/8204987695009058504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/8204987695009058504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/2011/04/o-penhor-do-maragato_16.html' title='O penhor do maragato *'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544.post-756896529050282667</id><published>2010-12-24T05:41:00.000-08:00</published><updated>2011-05-08T07:05:27.860-07:00</updated><title type='text'>A velhinha e o americano</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Athos Ronaldo Miralha da Cunha&lt;br /&gt;twitter.com/athosronaldo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns clientes são habitués no penhor. Aqueles que aparecem em dias de chuva, têm os contratos mais antigos e são os mais extrovertidos. Mas as velhinhas viúvas, simpáticas, sorridentes e bem-humoradas estão no topo da preferência. E foi uma delas que sentou em minha frente. E não era dia de temporal.&lt;br /&gt;O período era de um inverno de renguear cusco, meio de mês e pouco movimento na agência. Eu não devia escrever que havia tomado um cálice de vinho tinto no almoço, mas o fato é que eu havia tomado um cálice de vinho tinto no almoço. E por conta desse cálice de vinho estava acometido de uma lombeira. &lt;br /&gt;Ao cumprimentar a velhinha com um sonolento “boa tarde” ofertei um longo e relaxante bocejo. Não teve dúvidas e a velhinha bocejou de volta. Diante do bocejo da velhinha outro bocejo meu.&lt;br /&gt;– Para de bocejar! Senão eu também não paro – afirmou sorrindo. – Estamos como dois boca abertas.&lt;br /&gt;E os bocejos se intensificaram. Eu bocejava daqui a velhinha bocejava do outro lado do balcão. E sorria – bocejando – pedindo que eu parasse de bocejar. Chegou a tal ponto que nem olhava mais para mim. Me entregou os documentos olhando para o guichê da colega ao lado. Eu chorava de rir do jeito da velhota. Entreguei a renovação e um bocejo e a velhinha saiu rapidamente do guichê. Bueno, como estou falando em bocejo nessa crônica é evidente que estou bocejando nesse momento... e me lembrando da velhota.&lt;br /&gt;A velhinha saiu resmungando alguma coisa entre um bocejo e outro, quando um cidadão de uns dois metros de altura me entrega um papel e permanece em pé num silêncio absoluto. Verifico o documento e vejo que é um cheque viagem de U$ 500,00. Sem saber o que fazer com aquilo, pedi que aguardasse alguns minutinhos que iria verificar com o gerente. Imaginei que ele estava enganado, a coisa não era com a Caixa, mas, enfim, não custa buscar informação. Voltei e expliquei que deveria se dirigir ao Banco do Brasil para fazer a troca. E falei que a Caixa não tinha esse tipo de serviço e que ele estava no penhor. Também expliquei o que era penhor e blábláblá.&lt;br /&gt;– I do not speak português – falou essa única frase para espanto meu depois de ter gasto todo o verbo em explicações.&lt;br /&gt;Pensei em responder “Yo también no hablo português”, mas seria maldade com o americano. Não fazia a menor idéia de como encaminhar o gringo para uma agência do Banco do Brasil, quando a velhinha que bocejava retorna.&lt;br /&gt;– Eu falo inglês. Fui professora de língua estrangeira no Manoel Ribas. Fui professora do atual prefeito – falou cheia de importância.&lt;br /&gt;Sorri satisfeito, só no penhor para se encontrarem um americano, que não fala português, e uma ex-professora de inglês do velho Maneco.&lt;br /&gt;E foram os dois em altos papos – no idioma de Obama – até o elevador. Ela se volta e me olha, boceja, sorri e some elevador adentro.&lt;br /&gt;Lógico, eu também bocejei e percebi que não havia autenticado a via da velhinha. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2586213179148378544-756896529050282667?l=joiasdopenhor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/756896529050282667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2586213179148378544&amp;postID=756896529050282667' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/756896529050282667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/756896529050282667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/2010/12/velhinha-e-o-americano.html' title='A velhinha e o americano'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544.post-7486930566675041771</id><published>2010-11-27T12:30:00.000-08:00</published><updated>2010-11-27T15:24:50.578-08:00</updated><title type='text'>O namorado da viúva do promotor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A maioria das pessoas contratantes de empréstimo sob penhor de joias é formada de mulheres. E a maioria das mulheres são professoras. Mas isso é, apenas, um dado estatístico, pois homens também fazem penhor.&lt;br /&gt;Assim, sentou-se em minha frente um senhor alto e com volumosos cabelos brancos. Muito conversador. Ao entregar-me a cédula de identidade percebi, de pronto, a data de nascimento: junho de 1922.&lt;br /&gt;Enquanto refletia sobre a vida e o tempo o senhor de descendência germânica sofria para retirar a aliança e o anel do dedo. Naquele meio tempo em que eu estava no “La pucha que o tempo passou ligeiro” e fazendo contas futuras o cidadão continuava com grande e insuficiente esforço para retirar a aliança e o anel do dedo. Fez uma pausa – já estava com o rosto vermelho – e contou que, certa feita, quando trabalhava numa joalheria, na esquina da Floriano com a Bozzano, um funcionário inventou de botar uma aliança no pinto. Uma senhora da alta sociedade obesa da cidade havia encomendado e fazia mais de semana e não viera buscar. Então, de sacanagem, o colega botou a joia no pinto. Só que não conseguia tirar a aliança do seu membro e por acaso e coincidência a senhora adentra na joalheria. O guri suava por todos os poros e a aliança lá.&lt;br /&gt;– A madama aguardando no balcão e o guri com o anel da velha no pinto. E não conseguia tirar. Sobrou para mim, tive que cortar. O anel, o anel. Bem entendido? – e soltou uma gostosa gargalhada.&lt;br /&gt;– E a senhora da sociedade burguesa não ficou enfurecida com a demora?&lt;br /&gt;– Da sociedade obesa – corrigiu e continuou. – Sem problemas a madama – ele falava madama – veio buscar no outro dia. Ontem, assistindo o jornal e vendo aquela confusão do trafico de drogas no Complexo do Alemão. Lembrei que eu fui um alemão complexado por conta do corte do anel no pinto do Zé. Até hoje eu sonho com o pinto do Zé. Tu já cortou o anel no pinto de alguém?&lt;br /&gt;– Nunca!&lt;br /&gt;– Experimente e vai acabar no psicanalista.&lt;br /&gt;Chamava-se Schneider um alemão bem-humorado. Se é que se pode achar um alemão bem-humorado. Mas ele estava ali em minha frente. De repente deu um sorrisinho maroto. Levantou o braço. Pensei em ouvir em seguida o “Hai Hitler”, mas o que vi foi o seu Schneider retirar tranquilamente com a mão direita o anel e a aliança.&lt;br /&gt;– Não conhecia essa hein?&lt;br /&gt;– Essa simpatia de levantar o braço? – respondi perguntando.&lt;br /&gt;Antes de ser taxado de idiota pensei “claro o sangue desce e o dedo fica mais fino”.&lt;br /&gt;– Essa simpatia quem me ensinou foi um colega, o mesmo da aliança no pinto...&lt;br /&gt;– É uma coisa impressionante... – comentei.&lt;br /&gt;Entregou-me as joias dizendo que o anel estava no dedo dele há mais de 40 anos. Fiz o cálculo e a avaliação ficou em pouco mais de duzentos reais. Se no mundo existe um idoso, alemão, humorado e conversador, essa pessoa, mais dia, menos dia, faria um penhor comigo. Isso é lógica! A lógica do penhor é claro.&lt;br /&gt;O senhor Schneider divagou pela sua longa existência enquanto avaliava as joias.&lt;br /&gt;– O senhor está com...&lt;br /&gt;– 88 anos bem vividos. Caminho, vou a baile, danço e namoro bastante – e soltou outra estrondosa gargalhada.&lt;br /&gt;Uma velhinha que estava logo atrás fez uma cara de quem não gostou do alemão. Estava escrito em sua testa: velho devasso.&lt;br /&gt;Mas o seu Schneider – que me lembrou um antigo goleiro do Internacional – continuou com seu relato. Falou que tinha uma namorada 30 anos mais nova. “Pronto, é agora” pensei.&lt;br /&gt;– Ela que me ensinou a dançar tango e chamamé. É viúva de um promotor e cheia da grana. Mas hoje estou fazendo um penhor para comprar remédios. Sabe como é né. Vou comprar uns gremistinhas...&lt;br /&gt;– Gremistinhas? – perguntei.&lt;br /&gt;– Aqueles azuizinhos. Tenho encontro hoje com a viúva do promotor.&lt;br /&gt;A velha atrás quase subiu pelas paredes. Mas percebi nos olhos dela um certo interesse pelo alemão. Só não entendi o porquê do penhor se a viúva do promotor era cheia da grana. Mas o fato é que seu Schneider botou a grana no bolso e foi direto para a Panvel. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2586213179148378544-7486930566675041771?l=joiasdopenhor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/7486930566675041771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2586213179148378544&amp;postID=7486930566675041771' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/7486930566675041771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/7486930566675041771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/2010/11/o-namorado-da-viuva-do-promotor.html' title='O namorado da viúva do promotor'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544.post-4789496251648643760</id><published>2009-09-25T10:21:00.000-07:00</published><updated>2009-09-25T10:25:40.474-07:00</updated><title type='text'>A bela do sapato</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nesses anos todos de banca nas avaliações de joias, observei algumas coincidências. Uma delas é com a senha de chamada para atendimento. Ao chamar a senha 24 ou 69 podia ter certeza, a história rendia.&lt;br /&gt;Novamente aquela pasmaceira de meio de mês. E uma colega, recém-formada no curso de avaliadora, fazia o estágio comigo. Eu, o ilustre orientador na agência.&lt;br /&gt;Quando ela saiu do elevador o penhor e a habitação – que estão no mesmo andar – pararam. Literalmente o tempo parou. Todos os olhos se voltaram para a beldade. Eu não via mais nada, apenas, um par de longas e esbeltas pernas bronzeadas se aproximando do guichê. Ela não caminhava, desfilava pelo recinto. Usava uma mini-blusa vermelha e uma minúscula saia branca. Tinha um longo cabelo preto com uma tiara amarela. O cabelo liso, como uma cascata negra, jorrava pelas costas até a cintura. Meia dúzia de pulseirinhas douradas e brincos em forma de coração. Usava um sapato preto exageradamente alto e uma bolsa também vermelha. Isso tudo foi observado pela Michelli – a avaliadora estagiária – eu só tinha olhos para as suas bem torneadas pernas.&lt;br /&gt;– Tenho que pegar a senha? – perguntou com voz melosa e delicadamente apontando para a maquineta.&lt;br /&gt;– Não precisa – falou Michelli.&lt;br /&gt;– Precisa – falei, imaginando qual o n úmero da senha.&lt;br /&gt;É claro que ela pegou a senha 69 e a história recém estava começando.&lt;br /&gt;Antes de dizer um &lt;em&gt;oi, boa tarde&lt;/em&gt; ou qualquer expressão que identificasse que aquele monumento sorria e queria fazer penhor, tocou o celular.&lt;br /&gt;– Não! Não é esse o número, foi engano.&lt;br /&gt;Não sei o que o interlocutor da beldade falou do outro lado, mas foi um recital de: &lt;em&gt;muito delicado de sua parte. Muito gentil. Ahan. Legal. Pode sim. Tudo bem. Bah!&lt;/em&gt; O bah ela falou quatro vezes. E um amontoado de palavras gentis. E a conversa dos dois desconhecidos se prolongou por mais de dez minutos. Enfim, desligou o celular e comentou apenas.&lt;br /&gt;– Vá que seja fazendeiro...&lt;br /&gt;Com a maior sem-cerimônia, a moçoila colocou a perna em cima do guichê, com aquele baita sapato preto com uma enorme fivela dourada que, como os brincos, tinha o formato de coração. Não esqueçamos que ela estava de minissaia e o penhor em estado de graça, todos os sete avaliadores.&lt;br /&gt;– Quero penhorar esse sapato porque a fivela é de ouro.&lt;br /&gt;– Não existe sapato com fivela de ouro – respondi de pronto.&lt;br /&gt;– Mas o moço da casa Eny disse que era folheado a ouro 18 quilates, logo, é de ouro. Então quero avaliar.&lt;br /&gt;– Mas...&lt;br /&gt;– Quero testar – falou a estagiária.&lt;br /&gt;Estava ávida por pingar uma gotinha de ácido na fivela do sapato da moça. Não sei se para testar seus conhecimentos ou por vingança. Mas o fato é que testamos a fivela. &lt;br /&gt;– Então vamos testar a fivela para ver se realmente é ouro. A senhora...&lt;br /&gt;– Senhorita.&lt;br /&gt;– ...Senhorita pode tirar o sapato.&lt;br /&gt;O movimento que ela fez para tirar o pé de cima do guichê foi algo próximo da suprema corte do paraíso. O penhor era um silêncio só. Ninguém renovava. Ninguém avaliava. Ninguém resgatava. E todos suspiravam com os olhos nas fivelas do sapato da moça. Por alguns momentos teve dificuldade para desafivelar o sapato. Quando me prontifiquei para ajudar ela falou a palavra que foi um balde de água fria em minha ansiedade e taquicardia.&lt;br /&gt;– Consegui!!!&lt;br /&gt;Incrivelmente o sapato tinha um aroma de erva doce. Michelli fez o teste e concluiu o que todo o universo e os mais de mil avaliadores concluiriam.&lt;br /&gt;– Não é ouro!&lt;br /&gt;A moça fez um beicinho que eu achei a coisa mais lindinha do mundo. Devolvemos o sapato, mas sem antes perguntar de onde era aquele aroma de erva doce. Respondeu que havia passado alcoolgel nos pés. Sabia e tinha visto a entrevista do ministro da saúde recomendar o uso do álcool nas mãos, mas por segurança, passava também nos pés. E eu fiquei imaginando o porquê.&lt;br /&gt;– Tchau, doutorzinha – e saiu sem dar mínima bola para mim.&lt;br /&gt;Encerrou o desfile na porta do elevador e o penhor voltou a sua normalidade. Então percebi que um gaúcho todo paramentado com estribos e arreios de prata aguardava atendimento. E a senha não era 24 nem 69. Mas a estampa do vivente não deixava dúvidas. Afinal, era aquela pasmaceira de meio de mês.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2586213179148378544-4789496251648643760?l=joiasdopenhor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/4789496251648643760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2586213179148378544&amp;postID=4789496251648643760' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/4789496251648643760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/4789496251648643760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/2009/09/bela-do-sapato.html' title='A bela do sapato'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544.post-4402747058558616567</id><published>2008-07-17T18:18:00.001-07:00</published><updated>2008-07-17T18:18:52.625-07:00</updated><title type='text'>A beata</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Chegou em absoluto silêncio e em silêncio permaneceu por alguns momentos. Seus lábios mexiam fervorosamente sem a emissão de som e seus olhos, ora miravam o teto das dependências do penhor, ora o piso.&lt;br /&gt;Ela estava rezando em minha frente.&lt;br /&gt;Após esses breves momentos de meditação puxou de sua sacola da Rede Vivo uma imagem da Nossa Senhora Medianeira, deu um beijo e colocou em cima do guichê.&lt;br /&gt;– Ela é minha protetora. – completou, sentou-se e sorriu.&lt;br /&gt;Era uma tarde muito fria de um inverno que recém estava começando. Essa senhora, meio judiada pelo tempo e pela vida, estava extremamente agasalhada. Por cima de todas as blusas de lã uma enorme japona.&lt;br /&gt;– Eu só trouxe o... – levantou-se.&lt;br /&gt;Tentava, incessantemente, colocar a mão por sobre as golas das blusas. Imaginei que ela queria buscar alguma coisa que estava seguramente guardada no sutiã. Era uma seção de contorcionismo no penhor na tentativa de acessar o documento tão bem-guardado.&lt;br /&gt;– Eu só trouxe o... – repetiu.&lt;br /&gt;E cada vez mais se abraçava num esforço desesperado de colocar a mão por dentro das roupas. Uma vez com a mão esquerda depois com a mão direita. De frente para mim e de costas para uma platéia de umas dez pessoas. E a Santa entre nós abençoava o espetáculo.&lt;br /&gt;– Eu só trouxe o...&lt;br /&gt;– CPF – eu disse já meio ansioso com a indefinição daquela cena.&lt;br /&gt;Então, ela começou a desabotoar a japona e mais alguns casaquinhos de lã. Tirou um rosário e colocou em cima do guichê. No momento seguinte um saquinho com umas moedas e cédulas de reais. Um chaveirinho do Riograndense Futebol Clube&lt;br /&gt;– Periquito. Minha paixão! – falou mostrando para mim e para todos os presentes no penhor.&lt;br /&gt;Por fim, retirou um lenço com documentos de identidade e o cartão de benéfico. &lt;br /&gt;– Eu só trouxe a...&lt;br /&gt;– Renovação. – falei disfarçando minha ansiedade.&lt;br /&gt;– Renovação. Como é que o senhor adivinhou? Tá aqui...&lt;br /&gt;Apresentou-me uma renovação que deveria ter feito escala na Bósnia. A data eu consegui ler: janeiro de 2005 e com um número antigo do contrato. Até bateu uma saudade do velho programa Aurus. Por sorte alguém havia escrito o CPF no verso do que outrora tinha sido uma renovação.&lt;br /&gt;– Eu quero resgatar amanhã. Veja quanto dá e coloque num papelzinho. Aí da Caixa.&lt;br /&gt;Fiz como o solicitado, mas ela não se convenceu.&lt;br /&gt;– O senhor poderia rubricar aqui. É que a pessoa para quem o vou pedir dinheiro emprestado precisa ter certeza do valor.&lt;br /&gt;– Mas eu não posso rubricar um papelzinho...&lt;br /&gt;– Não tem problema.&lt;br /&gt;Colocou o papelzinho e a renovação e todos os demais apetrechos no mesmo lugar de antes e começou a se abotoar. Segundo ato do espetáculo de contorcionismo. Misturou algumas contas a pagar com outros papeis e a carteira de identidade. Ainda balbuciou umas Ave-Marias. Por fim, mostrou-me uma foto de uma sobrinha que morava em Brasília e que namorava um senador.&lt;br /&gt;– Pareça pai da menina...&lt;br /&gt;Pegou a Santa de cima do guichê e pediu para que eu lesse o que estava escrito no verso da imagem.&lt;br /&gt;Santo anjo do senhor, meu zeloso guardador! Se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, me guarde, me governe, me ilumine, amém!!&lt;br /&gt;– Lembre-se sempre reze antes de dormir.&lt;br /&gt;Fez o sinal da cruz virou-se levantou as mãos para o céu, ou para o teto, sei lá, e se foi meio desajeitada. Alguma coisa a incomodava. Fiquei com a impressão que era o volumoso sutiã.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2586213179148378544-4402747058558616567?l=joiasdopenhor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/4402747058558616567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2586213179148378544&amp;postID=4402747058558616567' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/4402747058558616567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/4402747058558616567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/2008/07/beata.html' title='A beata'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544.post-5289609139066036776</id><published>2008-06-08T16:48:00.000-07:00</published><updated>2010-11-27T13:04:04.724-08:00</updated><title type='text'>As mulheres de Nádio *</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando acionei a senha 69, ela veio toda espalhafatosa em direção ao guichê.&lt;br /&gt;Uma morena bronzeada, cabelos extremamente curtos e olhos verdes. Uma pintinha ao lado da boca, igual a da Débora Secco, era, apenas, um detalhe. Estava ornamentada com meia dúzia de pulseiras em cada braço. Bijuterias de qualidade duvidosa.&lt;br /&gt;Sem deixar de falar ao celular, sentou-se em minha frente. Parecia bem exaltada e a frase que ouvi não deixava dúvidas.&lt;br /&gt;– Tu tem que dar um pontapé no traseiro daquela vagabunda!&lt;br /&gt;Sem desligar o aparelho, me alcançou um contrato com umas quinze renovações presas por um clips e que estava vencido desde maio de 2007. Disfarçando um sorriso, pediu para ver quanto era a dívida.&lt;br /&gt;Até então eu não tinha falado e acho que não iria, pois a morena continuava atenta ao celular e os ânimos, ainda, estavam exacerbados.&lt;br /&gt;– Aquela ordinária vai torrar todo o teu dinheiro, pode crer. Tu não vai ficar com um mísero centavo no bolso.&lt;br /&gt;Olhou para mim e perguntou quanto dera a cálculo.&lt;br /&gt;– R$ 999,00. – respondi.&lt;br /&gt;– Vou renovar, veja quanto dá para trinta dias.&lt;br /&gt;Como o contrato estava em nome de outra pessoa, perguntei quem era Nádio. A morena respondeu, se esforçando para ser simpática, que era de um conhecido. O amigo estava doente e não poderia vir pessoalmente.&lt;br /&gt;– A senhora poderá fazer a quitação, mas para retirar as jóias terá que ter a procuração do Nádio ou a autorização no contrato. Ok? – informei os procedimentos em caso de resgate.&lt;br /&gt;Ela, ainda mantendo a ligação, franziu as sobrancelhas e mandou seu interlocutor visitar a Ponte de Paris. Em alto e bom som para todos ouvirem.&lt;br /&gt;E, com a maior calma do mundo, dirigiu-se a mim.&lt;br /&gt;– Meu caro, eu faço penhor há 10 anos, desde o tempo em que a Caixa se chamava Monte de Socorro, sei tudo sobre jóias no prego. – e continuou seu colóquio ao telefone.&lt;br /&gt;Aí percebi que o tal Nádio estava no outro lado da linha.&lt;br /&gt;– Tu sabe, Nádio, que de separação eu entendo. Deixei o meu Ex com uma mão na frente outra atrás. Fiquei com quase tudo. E o pobre coitado arrumou uma coroa gastadeira e vigarista que acabou torrando o pouco que havia deixado. Mas bem feito. Homem é tudo igual. E a tua também, se tu não te separar, ela vai detonar tudo o que te resta. E essa tua mulher não é flor que se cheire.&lt;br /&gt;Fiz de conta que não percebi que o Nádio estava no telefone e recebendo moderados e sinceros conselhos acerca de sua vida conjugal.&lt;br /&gt;– Outro dia eu vi a tua queridinha no shopping toda faceirinha. Parecia uma cadela no cio. Dando mole para todo mundo.&lt;br /&gt;Pobre Nádio! As duas mulheres de Nádio. O que o coitado fez para merecer tanto... – pensei no clicar das renovações.&lt;br /&gt;– Meu amor, só me liga quando tiver com o divórcio encaminhado. Certo querido. Tchau, meu bem. Ah! Lembrança pra mocréia.&lt;br /&gt;Aí, sim, desligou o telefone.&lt;br /&gt;– O senhor não acha que eu sou uma ótima conselheira?&lt;br /&gt;– Sem dúvida... acho. – mas acho que ela não acreditou em minhas palavras.&lt;br /&gt;– Sei... – foi o que ela respondeu.&lt;br /&gt;Pagou a renovação com uma nota de R$ 100,00. E se levantou para ir embora. Nesse instante o celular toca de novo.&lt;br /&gt;– Adivinha quem é?&lt;br /&gt;– Nádio. – respondi sem maior interesse.&lt;br /&gt;– Tu de novo seu corno! Não larga do meu pé.&lt;br /&gt;E se foi aos berros, pouco se importando com os olhares desconfiados dos outros mutuários do penhor.&lt;br /&gt;Pobre Nádio. Pelo menos a morena atualizou seu contrato. Mas eu fiquei com a impressão que pode ter sido em causa própria. O Nádio que se cuide.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* Crônica classificada em 3o lugar no VI concurso Rubem Braga da crônicas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2586213179148378544-5289609139066036776?l=joiasdopenhor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/5289609139066036776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2586213179148378544&amp;postID=5289609139066036776' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/5289609139066036776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/5289609139066036776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/2008/06/as-mulheres-de-ndio.html' title='As mulheres de Nádio *'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544.post-6717478801145729156</id><published>2008-06-08T16:32:00.001-07:00</published><updated>2008-06-08T16:36:10.877-07:00</updated><title type='text'>A ligação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;– Caixxxxa Federal, boa tardiiiiii!&lt;br /&gt;A telefonista, como habitual e mecanicamente faz, numa sonolenta e morna tarde de outubro, transfere a ligação para mim, com o seguinte recado: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Athos, ligação de Brasília, o Marçal da Caixa Seguros que falar contigo.&lt;br /&gt;– Ô Marçal! Tudo bem? A ligação ta meio ruim, mas o que tu andas fazendo aí pelo planalto central? Não estavas em São Paulo?&lt;br /&gt;– Tô aqui na seguradora, problemas em cima de problemas, debaixo do mau tempo, nem imaginas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;– Seguradora? Tu não estavas na APCEF-SP, Marçal?&lt;br /&gt;– Não! Eu sempre trabalhei aqui na Matriz. Próximo ao poder, na cidade que Oscar Niemeyer projetou e Juscelino Kubitschek construiu.&lt;br /&gt;Neste lado da linha, meio patético, estou achando a conversa meio sem-pé-nem-cabeça. O Marçal na seguradora? Ele não tinha sido transferido para São Paulo? Ele não estava na agência Anhagabaú, totalmente adaptado à metrópole paulista?&lt;br /&gt;– Atho! Seguiu falando o suposto Marçal.&lt;br /&gt;– Estamos com um problema para liberar o seguro. O processo foi mal encaminhado. Faltam documentos e provas. Os cálculos terão que ser refeitos novamente.&lt;br /&gt;– Que seguro? Que documento? Marçal! Eu estou no penhor.&lt;br /&gt;“Por que o Marçal tá falando o meu nome sem o “s”?” – pensei cá com os meus botões.&lt;br /&gt;– Pô Atho, o seguro do Valdomiro, aquele que demoliu o carro aí na 290. Não tá lembrado?&lt;br /&gt;– Quem está falando, afinal?&lt;br /&gt;– Aqui é o Marcelo da Caixa Seguros.&lt;br /&gt;– Marcelo?&lt;br /&gt;– Sim, o Marcelo.&lt;br /&gt;– E tu desejas falar com quem?&lt;br /&gt;– Com o Otto, o Superintendente do escritório de Negócios de Santa Maria, certo?&lt;br /&gt;– Errado! Só um momento, Marcelo.&lt;br /&gt;Transfiro, novamente, a ligação para a telefonista.&lt;br /&gt;– Esta ligação não é do Marçal para falar com o Athos e, sim, do Marcelo para falar com o Otto. Certo?&lt;br /&gt;– Ah! Bom, só um momentinho.&lt;br /&gt;E segue a telefonista, na sonolenta e morna tarde de outubro.&lt;br /&gt;– Caixxxa Federal, boa tardiiiiii! Seu Otto a ligação de Brasília.&lt;br /&gt;– Fala grande amigo Julio Rafael.&lt;br /&gt;– Aqui é o Marcelo.&lt;br /&gt;– Mas eu pedi uma ligação para o Julio...&lt;br /&gt;– Caixxxxa Federal, boa tardiiiiii!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2586213179148378544-6717478801145729156?l=joiasdopenhor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/6717478801145729156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2586213179148378544&amp;postID=6717478801145729156' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/6717478801145729156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/6717478801145729156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/2008/06/ligao.html' title='A ligação'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544.post-6616732138471181370</id><published>2008-06-03T15:53:00.000-07:00</published><updated>2008-06-03T15:54:23.718-07:00</updated><title type='text'>A francesinha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma senhora, habitué nas dependências do penhor. Faceira, ágil e sorridente, que devia ter seus sessenta e poucos anos, aparentemente, bem-vividos.&lt;br /&gt;Tinha uma atitude apressada e gestos rápidos. Os cabelos de um preto intenso, óculos fundo de garrafa e uma verruga bem na ponta do queixo.&lt;br /&gt;Muito conversadeira quando vinha penhorar ou renovar algum contrato. Às vezes se atrapalhava nas datas, mas isso não era um motivo para estresse. Sorria com sua falta de memória e confusão com a papelada do penhor. Que era como se referia ao conjunto de contratos e um sem-fim de renovações que sempre trazia na bolsa. &lt;br /&gt;Nos breves instantes em minha frente contou um pouco de sua vida.&lt;br /&gt;Tinha o nome e sobrenome franceses. Louise Rennée du Poisson. Seus pais eram naturais da França e vieram para o Brasil dois anos antes de ela nascer. Tinha muito orgulho do sobrenome que carregava.&lt;br /&gt;Quando adolescente enamorou-se de um rapaz que se chamava José Pereira, funcionário de um Banco estatal. Se apaixonou e casou com o jovem bancário Zé. Um rapazola de família humilde e muito trabalhador.&lt;br /&gt;Só não aceitou trocar seu registro de batismo. Manteve o nome original. Não admitiu colocar o Pereira no sobrenome. Sendo de uma linhagem tradicional da França seria inconcebível um Pereira na família.&lt;br /&gt;Após ter contado sua instigante história, concluiu.&lt;br /&gt;– Imagina!  Louise Rennée du Poisson Pereira. Nunca! Jamais! – o jamais com sotaque francês&lt;br /&gt;– Fui a primeira mulher na cidade a não aceitar o nome do marido. – e completou. – Não me arrependo.&lt;br /&gt;Dona Louise soltava o verbo quando o assunto era o seu marido. Que, segundo ela, já estava mais pra lá do que pra cá. E já fazia algum tempo. Dona Louise Rennée du Poisson também contou com picos de extremada felicidade e euforia que o velho Zé Pereira estava nas últimas. Fazia cinco anos que o velho estava nas últimas e nunca “dava jeito” como comentou em outra oportunidade.&lt;br /&gt;– A gente fica numa torcida, e o malvado sai caminhando do hospital. Vê se pode?&lt;br /&gt;Depois que eu fiz a consulta e ter verificado que o contrato vencia daqui a dois meses, ela pouco se importou, acomodou-se na cadeira em minha frente e começou o seu rosário de contos familiares, ou melhor, do Zé Pereira, pois ela não tinha filhos. Nunca quis ter filhos.&lt;br /&gt;– Colocar filho no mundo e filho de um Zé Ninguém, era muita irresponsabilidade. E um desrespeito com a criaturinha que estaria por nascer.&lt;br /&gt;“Imagina! Ter filho de um Zé Pereira”. – pensei e sorri do meu chiste.&lt;br /&gt;– Imagina! Ter filho de um Zé Pereira. – falou, lendo meus pensamentos.&lt;br /&gt;Então, contou que na noite anterior o Zé Pereira, seu adoentado marido que sempre estava nas últimas, disse que estava com falta de ar e que iria morrer.&lt;br /&gt;– Claro que vai morrer, todo mundo morre. Eu disse pra ele. – e gargalhava do outro lado do guichê.&lt;br /&gt;– É, algum dia a gente vai morrer, mas não precisamos ter pressa. – respondi.&lt;br /&gt;Como não havia ninguém para ser atendido continuou com seus casos.&lt;br /&gt;– Hoje, o Zé Pereira amanheceu com a pá virada, disse que tentou se matar na tarde anterior. Atravessou, bem devagarinho, a rua e nenhum carro o atropelou.&lt;br /&gt;E eu ali na frente dela ouvindo aquela ladainha e com uma cara de sono.&lt;br /&gt;– Agora eu pergunto: quem vai atropelar um velho atravessando uma rua, bem devagarinho?&lt;br /&gt;Deu dois passos para a esquerda, bem devagarinho, imitando o velho, e repetiu.&lt;br /&gt;– Quem?&lt;br /&gt;– Ninguém...&lt;br /&gt;– Falei pra ele. Tem que esperar vir um carro e se jogar na frente. O senhor não acha?&lt;br /&gt;– É uma hipótese...&lt;br /&gt;– Quem quer se matar não avisa. Aquilo não vai se matar nunca. É um cagão. E quem tem que lavar as fraldas sou eu.&lt;br /&gt;Encerrou a conversa dizendo que depois de sua morte, apenas, os seus cachorros sentiriam a sua falta.&lt;br /&gt;Levantou-se e saiu ligeirinha. Caminhou alguns passos apressados e voltou.&lt;br /&gt;– Quando é mesmo o vencimento dos meus contratos?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2586213179148378544-6616732138471181370?l=joiasdopenhor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/6616732138471181370/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2586213179148378544&amp;postID=6616732138471181370' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/6616732138471181370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/6616732138471181370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/2008/06/francesinha.html' title='A francesinha'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544.post-7796210002513996265</id><published>2008-03-16T10:13:00.000-07:00</published><updated>2008-03-16T10:14:39.833-07:00</updated><title type='text'>O remédio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sexta-feira, dia 18 de maio, o Sistema do Penhor não funcionou. Mais uma vez ficamos com a cara de tacho diante dos clientes. Então percebemos que nossas desculpas estão em desuso, em estado de depreciação avançada. A culpa é do sistema há mais de dois anos.&lt;br /&gt;Quando afirmei que o penhor estava fora do ar, mãe e filha se entreolharam e emitiram um leve sorriso de resignação.&lt;br /&gt;- Fazer o quê? – comentou a filha.&lt;br /&gt;Decidiram permanecer no recinto por mais alguns minutos. Na esperança de que o tal Sipen voltasse de sua caverna oculta. Resistiram 45 minutos e foram embora. Percebi uma tristeza em suas faces e se foram lentamente. Ombros caídos e andar trôpego.&lt;br /&gt;Segunda-feira, como um seriado de enlatado americano, a cena se repetiu. Novamente o sistema não deu as caras na minha telinha social. O olhar triste e o sorriso de resignação de mãe e filha mais uma vez, também, se repetiu. Mais meia hora de espera e um tchau desanimado e seco.&lt;br /&gt;Terça-feira à tarde ao serem comunicadas que o sistema ainda estava em estado de coma, elas nem sentaram, foram embora sem expressar um sinal de indignação. Nenhum esboço de raiva. Cabisbaixas, porta afora.&lt;br /&gt;Quarta-feira o sistema voltou de seu exílio voluntário. Abrimos o dia fazendo contratos novos. O Sipen havia voltado do retiro espiritual. Era uma quarta-feira de cinzas da informatização do penhor.&lt;br /&gt;Por volta das 14 horas, mãe e filha entram no recinto. Tão logo as vi, fiz um sinal de positivo. Um sorriso iluminou suas faces. Pegaram a senha e aguardaram sua vez.&lt;br /&gt;Após receberem os R$ 256,00 referentes ao contrato efetivado, a filha comentou antes de sair.&lt;br /&gt;- Finalmente, eu faço hemodiálise três vezes por semana e hoje conseguirei comprar meus remédios.&lt;br /&gt;Então, percebi que suas poucas jóias era sua salvação e o penhor uma questão de vida ou morte.&lt;br /&gt;E a culpa é sempre do sistema.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2586213179148378544-7796210002513996265?l=joiasdopenhor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/7796210002513996265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2586213179148378544&amp;postID=7796210002513996265' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/7796210002513996265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/7796210002513996265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/2008/03/o-remdio.html' title='O remédio'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544.post-7274772738994418163</id><published>2008-02-26T13:30:00.000-08:00</published><updated>2008-02-26T13:31:58.989-08:00</updated><title type='text'>A senhora dos anéis *</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O expediente bancário teve início às 11:00hs, pois era uma morosa quarta-feira de cinzas. Tudo ao redor parecia estar meio sonolento. Uma providencial caneca de chá de boldo estava a disposição para uma momentânea reanimação.&lt;br /&gt;Em minha frente, sentada pacientemente, uma simpática senhora, há muito mutuária dos penhores da caixa, se orgulhava de possuir o contrato mais antigo de nossa agência, as moedas de ouro mais raras da cidade e as jóias mais valiosas de sua tradicional família de imigrantes italianos. As moedas, herança de seu avô, que as havia recebido de uma escrava que tinha comprado a liberdade. As moedinhas de ouro viajaram pela árvore genealógica desde o império. Um tesouro inestimável. Era o seu comentário acerca do valioso valor numismático de suas libras e ducados.&lt;br /&gt;De repente começou a tecer comentários sobre o seu saudoso esposo e da falta que o velho Olavo fazia.&lt;br /&gt;- Um cavalheiro, educadíssimo, uma excelente pessoa, decente, tinha um coração muito grande, pena que partiu muito cedo. Um homem bondoso. Em todos os meus aniversários me presenteava com jóias. Imagina! Uma jóia por ano. Ainda posso vê-lo chegando com uma caixinha decorada, um buquê de rosas vermelhas, as minhas prediletas, e um cartão. Como era romântico o Olavo!&lt;br /&gt;O Olavo foi o personagem do interminável monólogo elogioso em nossa frente. Dona Benvinda até esqueceu das suas raras e maravilhosas moedas do século XIX.&lt;br /&gt;- Este anel eu ganhei quando completei 25 anos, foi a primeira e mais linda das jóias que o Olavo presenteou-me. E nós já estávamos casados há sete anos. Esta aqui quando eu completei 26 anos... não, esta foi nos 28. Aquela ali foi nos 26, o brinquinho de esmeralda nos 27 e o anel solitário nos 29. O colar de pérolas nos 30, a gargantilha nos 31... quanta saudade. Aquela pulseira berloqueira nos 32...&lt;br /&gt;- Dona Benvinda, com que idade a senhora está?&lt;br /&gt;- Moço!!!!&lt;br /&gt;- Desculpe-me.&lt;br /&gt;- Onde eu estava... a sim, aquela pulseira de ouro branco com diamantes, nos 33, o anel de rubi nos 34... os brincos de pérola nos 35... o solitário de um quilate nos 36... o camafeu nos 37...&lt;br /&gt;E o expediente recém estava começando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Crônica classificada no 12º Concurso Histórias de Trabalho 2005.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2586213179148378544-7274772738994418163?l=joiasdopenhor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/7274772738994418163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2586213179148378544&amp;postID=7274772738994418163' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/7274772738994418163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/7274772738994418163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/2008/02/senhora-dos-anis.html' title='A senhora dos anéis *'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544.post-5337125922674489023</id><published>2008-02-19T04:45:00.000-08:00</published><updated>2008-02-19T04:46:13.024-08:00</updated><title type='text'>Os ciganos e o CasaCap</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Essa história aconteceu alguns dias após a lançamento do CasaCap, um fundo de capitalização para aquisição da casa própria. Naquela oportunidade recebemos uma camiseta pólo com a estampa da marca da Caixa e de uma casinha que simbolizava o produto. Os prazos do penhor ainda eram de 28, 56 e 84 dias e o programa do penhor era o saudoso Aurus.&lt;br /&gt;O inverno tinha dado uma trégua e o dia estava quente. Um calor que nos enchia de ânimo. No penhor, estávamos uniformizados com a camiseta do CasaCap. Pontualmente, às 11 horas, um casal de ciganos posta-se em minha frente.&lt;br /&gt;Dona Cecília informou que uma amiga, também cigana, tinha avisado que poderia efetuar a renovação do contrato de penhor sem pagamento e ainda levar um dinheiro por conta da valorização do ouro.&lt;br /&gt;- A gente renova e leva um dinheirinho de volta. – comenta a cigana sorridente.&lt;br /&gt;São vinte e oito contratos. O Aurus – antigo programa do penhor – não permite fazer o cálculo pelo total, tenho que fazer um por um. (O Aurus também tinha suas pequenas falhas).&lt;br /&gt;- O senhor faça o cálculo para 56 dias para ver quanto a gente leva.&lt;br /&gt;Começo a jornada dos cliques. Abro o primeiro contrato; clico duas vezes no número, clico em 56 dias a receber e fecho o contrato. Abro o segundo contrato; clico duas vezes no número, clico em 56 dias a receber e fecho o contrato... vinte e oito vezes.&lt;br /&gt;Na dança dos cliques vou imaginando... só falta a cigana querer os cálculos para 28 dias.&lt;br /&gt;- Pronto! No prazo de 56 dias vocês levam R$ 666,00.&lt;br /&gt;A cigana faz uma cara meio estranha. Prevejo a pergunta.&lt;br /&gt;- Poderia fazer para 28? – bingo!&lt;br /&gt;Lá vou eu para dança dos cliques nos 28 dias.&lt;br /&gt;Abro o primeiro contrato; clico duas vezes no número, clico em 28 dias a receber e fecho o contrato. Abro o segundo contrato; clico duas vezes no número, clico em 28 dias a receber e fecho o contrato... vinte e oito vezes.&lt;br /&gt;- Pronto. No prazo de 28 dias vocês levam R$ 1.027,00.&lt;br /&gt;- Beleza! – dessa vez quem sorri é o cigano, que tinha um bigode de causar inveja ao Olívio Dutra.&lt;br /&gt;Os olhos da cigana sorriem em silêncio para mim.&lt;br /&gt;Vendo tamanho saldo a receber, não tenho dúvidas, vou atracar um CasaCap nessa cigana, afinal de contas, toda mulher sonha com a casa própria. E comecei explicar as vantagens do CasaCap. Os sorteios e as remunerações no final dos 36 meses. Expliquei que poderiam utilizar o dinheiro para obter um financiamento habitacional, afinal era apenas uma poupança.&lt;br /&gt;O cigano olhou seriamente para a cigana, a cigana também olhou seriamente para o cigano e ambos olharam para mim. Comecei a perceber que não estavam me entendo, mas continuei as explicações.&lt;br /&gt;De repente a cigana interveio.&lt;br /&gt;- Moço, muito bem, mas vocês não teriam por aí um BarracaCap. Esse a gente faria.&lt;br /&gt;- BarracaCap??!!&lt;br /&gt;Lógico, porque não pensei nisso antes...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2586213179148378544-5337125922674489023?l=joiasdopenhor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/5337125922674489023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2586213179148378544&amp;postID=5337125922674489023' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/5337125922674489023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/5337125922674489023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/2008/02/os-ciganos-e-o-casacap.html' title='Os ciganos e o CasaCap'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544.post-4972412787200756004</id><published>2008-02-05T07:22:00.000-08:00</published><updated>2008-02-05T07:23:43.804-08:00</updated><title type='text'>A perua</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;    &lt;br /&gt;Ela entrou nas dependências da agência e olhou discretamente para o penhor. Tinha umas grandes e indecentes olheiras, um esquilo enrolado no pescoço e um cachorro à tira-colo.&lt;br /&gt;Uma crônica ambulante vem em minha direção. Pensei.&lt;br /&gt;À medida que se aproximava do guichê, verifiquei que estava enganado. Ela possuía uns estranhos óculos escuros, um chamativo casaco de pele e uma bolsa fora dos padrões normais de pessoas, supostamente, normais. Alguma coisa requisitada do mundo animal.&lt;br /&gt;Em frente a placa escrita penhor, com os dedos polegar e indicador, os demais levantados, baixou os óculos até a ponta do nariz, olhou de cima abaixo o ambiente e perguntou.&lt;br /&gt;- É aqui que fazem penhoooooorrr?&lt;br /&gt;E ela mesma respondeu.&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;Deu uma volta de 360° no sentido anti-horário, num imaginário eixo de rotação e sentou-se na cadeira. Ficou olhando para mim, por sobre os óculos. Então, percebeu que estava sozinha. E veio direto para o meu guichê.&lt;br /&gt;- A porta giratória trancou sete vezes lá embaixo. Até que o guardinha perguntou se eu não tinha nada de metal. É claaaaaaaaro que eu tenho. Eu seeeeeeeempre tenho.&lt;br /&gt;Levantou o braço esquerdo e mostrou as pulseiras.&lt;br /&gt;- Aqui tem 28 pulseiras e eu não tiro nem para tomar banho. Mandei chamaaaarr o gereeeeennte. Quem aquele guardiiiiinha pensa que é?&lt;br /&gt;Não perguntei o desfecho do imbróglio na portaria. O fato que a senhora estava, ali, em minha frente. Uma mistura de Sinhozinho Malta com Viúva Porcina.&lt;br /&gt;- Fiiiiiilhooo! Meu amoooorrrrr! Vou lhe mostrar uma jóia com o meu feitio.&lt;br /&gt;Revirou a bolsa até que encontrou a pulseira toda de ouro, com 24 pendentes em formatos de coração.&lt;br /&gt;- Veja!! Não é um show essa pulseira? Eu que desenhei. São 24 pendentes de coração. Há 24 anos estou casada com o Nildo.&lt;br /&gt;E com a ponta dos dedos polegar e indicador, os demais dedos levantados, colocou de volta os óculos na altura dos olhos. Solicitei a documentação e comecei a avaliar o show da pulseira.&lt;br /&gt;- Viste o meu sobrenome? Só tem duas famílias em toda América Latina com esse sobrenome. A minha e uma família em Buenos Aires. Como é o destino das pessoas... duas famílias... e eu caio na brasileira! Podia estar no Café Tortoni, no Teatro Colón, Recoleta, Caminito... El Ateneo, mas não! Estou aqui no penhores. Até o túmulo da Evita é mais interessante que essa cidade.&lt;br /&gt;Ela falava... falava... e eu parava de avaliar para anotar as frases da madame, pois a mulher era uma crônica em estado de êxtase, como havia pressentido. É evidente que errei a avaliação. Coloquei o valor da avaliação de R$ 1.800,00 no peso e tive que refazer o contrato. E ela, com todos os seus predicados, mandando verbo.&lt;br /&gt;- Tragédia!! Claro que a gente tem pena. Quantas pessoas estão chorando a morte de amigos e parentes. A gente sente a morte de bichinhos de estimação, como não vamos ficar comovidos com essa tragédia com o avião.&lt;br /&gt;E achei que ela iria desandar num pranto...&lt;br /&gt;- Mas tragédia para mim e a fila do SUS. O senhor não acha? Ontem a minha empregada...&lt;br /&gt;No momento em que ia fazer o teste na pedra de toque.&lt;br /&gt;- Nãããããõoooo!!! O senhor não vai raspar a minha jóia. Ela é um show...&lt;br /&gt;Não raspei.&lt;br /&gt;Então. Ela olhando o carrinho em miniatura que um guri havia esquecido em cima do guichê.&lt;br /&gt;- Para que serve esse carrinho?&lt;br /&gt;Eu tentei responder que um gu... ri... zi...&lt;br /&gt;- Eu adoro carros. Tem um Karmanguia vermelho na cidade que é um show. Um show. Um show. Um shoooooowwwww. Não sei quem é o dono, mas eu fico suspirando quando ele passa. Meu marido tem uma camioneta importada, mas eu gosto mesmo é de Karmanguia vermelho.&lt;br /&gt;... ele es... que... ceu.&lt;br /&gt;- Eu adoro carro antigo. Adoro tudo que é antigo. Coisa velha é comigo mesmo. Acho que é por isso que eu casei com o Evanildo. Sabe, o Nildo vai fazer 87 anos. Tem uma diferença entre nós de quase 50 anos. Mas o Nildo é espada. E é show também. O Nildo é uma jóia.&lt;br /&gt;- Pronto a senhora vai levar R$ 1.390,00.&lt;br /&gt;- Óóóótimooo!! Óóóótimooo!! Óóóótimooo!! Meu fiiiiiilhooo!! E agora eu vou para os outros bancos pagar os boletos das minhas jóias. Tudo Shopping Brasil e Medalhão Persa.&lt;br /&gt;Levantou-se, girou 360° agora no sentido horário, num imaginário eixo de rotação, com os dedos polegar e indicador, os demais levantados, baixou os óculos até a ponta do nariz.&lt;br /&gt;- Tchau meu fiiiiilhoo!! Meu queridiiiinho!!&lt;br /&gt;Girou mais 180° e se foi com o nariz empinado, um esquilo enrolado no pescoço e um cachorro à tira-colo.&lt;br /&gt;E eu fiquei anotando mentalmente as frases que havia perdido e imaginando por onde começar a procura em caso de diferença de caixa no final do dia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2586213179148378544-4972412787200756004?l=joiasdopenhor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/4972412787200756004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2586213179148378544&amp;postID=4972412787200756004' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/4972412787200756004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/4972412787200756004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/2008/02/perua.html' title='A perua'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544.post-7431387042740482301</id><published>2008-01-29T15:33:00.000-08:00</published><updated>2008-01-29T15:34:56.573-08:00</updated><title type='text'>A canetinha rosa do guasca *</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos ocorreu entre os anos de 1835 e 1845 por essas bandas do sul do Brasil. Naquela década sangrenta os gaúchos se rebelaram contra o Império. Num audacioso 20 de setembro deram início a revolução, num 11 de setembro proclamaram a República Rio-grandense e num mormacento fevereiro, 10 anos após, assinaram a paz de Ponche Verde nas planuras de Dom Pedrito.&lt;br /&gt;Então, em todos os meses de setembro os gaúchos resgatam lembranças da epopéia farroupilha. Heróis farrapos como Bento, Netto, Garibaldi, Anita, Canabarro e tantos outros são reverenciados em músicas e versos nos galpões, nos CTG’s, nas escolas, enfim, nos rincões do Rio Grande por onde sopra o Minuano ou onde estiver um gaúcho em qualquer parte dos quatro cantos do mundo.&lt;br /&gt;Os jornais estampam reportagens sobre os revolucionários de 35 e no dia 20 ocorre o desfile da gauchada orgulhosa de seus antepassados que são lembrados como os centauros dos pampas. Os garbosos cavalos batem cascos e cagam pelas avenidas afora. Que mal faz o cheirinho de uma verdejante bosta diante da importância da manifestação tradicionalista?&lt;br /&gt;Nas repartições públicas, bancos, lojas e nas entidades civis os funcionários trabalham pilchados. Os novos centauros dos gabinetes e escritórios ostentam a campeira indumentária. Alguns, ainda mais orgulhosos, exibem certificados de sua farrapa descendência. Até o “tchê” é precedido de um carregado “mas bah!” para autenticar a momentânea, mas acintosa grossura guasca-pampeana.&lt;br /&gt;Dirijo-me a uma instituição bancária para assinar um contrato de empréstimo pessoal. O funcionário, alegre e muito gentil, começa o atendimento. Estava trajado a rigor para a semana festiva em questão. Calçava botas com chilenas prateadas, usava uma bombacha preta, uma camisa branca e um lenço vermelho ao pescoço que identificava sua tradição de maragato ou um fanatismo gaudério pelo Internacional e uma guaiaca comprada lá no Uruguai. Um chapéu às costas, preso pelo barbicacho, era um detalhe especial.&lt;br /&gt;- Buenas tardes! - cumprimentou-me com um genuíno jeitão missioneiro.&lt;br /&gt;- Buenas... – respondi com um jeitão, também missioneiro, de quem nasceu em Santiago do Boqueirão.&lt;br /&gt;Casualidade ou não, mas o gaudério ali em minha frente, possuía um volumoso bigode de causar inveja ao Paixão Cortes.&lt;br /&gt;Antes de assinar o contrato, solicitei ao escriturário guasca para mostrar-me a data do vencimento. O gaúcho com aquele baita lenço e escondido atrás do bigodão, saca a sua poderosa adaga farrapa: uma caneta. Ou melhor, um salientador, e faz uma marca fosforescente rosa no meu contrato, indicando a data.&lt;br /&gt;A mim pareceu meio esquisito e contraditório. Um “gaúcho-dos-quatro-costados”, falquejado no lombo dos baguais, com uma canetinha rosa-shocking para salientar contratos.&lt;br /&gt;Não pude deixar de brincar com o vivente.&lt;br /&gt;- Tchê louco! De bombacha... mas com canetinha rosa. - deixei a frase no ar.&lt;br /&gt;Tasquei minha assinatura no papel enquanto o bombachudo rodopiava a canetinha rosa entre os dedos, pensativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Crônica classificada no 13º História do Trabalho 2006. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2586213179148378544-7431387042740482301?l=joiasdopenhor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/7431387042740482301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2586213179148378544&amp;postID=7431387042740482301' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/7431387042740482301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/7431387042740482301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/2008/01/canetinha-rosa-do-guasca.html' title='A canetinha rosa do guasca *'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544.post-3441003749244591490</id><published>2008-01-22T15:24:00.001-08:00</published><updated>2008-01-22T15:24:58.183-08:00</updated><title type='text'>O penhor das latinhas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma sexta-feira tranqüila com a perspectiva de um vasto e ensolarado final de semana prolongado com o feriado na segunda-feira.&lt;br /&gt;A última cliente do dia era uma senhora, aparentava ter mais de 80 anos. Baixinha, curvada e tinha o cabelo cuidadosamente bem arrumado, com um preto intenso e uma maquiagem exagerada. Usava na lapela de seu casaco um camafeu. Com a maior calma do mundo, e lentamente, dirigiu-se ao meu guichê. Portava três ou quatro volumosas sacolas plásticas de mercado e uma bolsa com a estampa de uma zebra.&lt;br /&gt;Eu já estava com o pensamento na caipirinha de vodka após o expediente no “Ponto de Cinema”. Tamborilava e assoviava a música de Bob Dylan “Blowin’ In The Wind”.&lt;br /&gt;Sentou-se em minha frente e começou a falar. Disse que precisava penhorar umas “coisinhas”, mas antes precisava me contar uma história. Com uma voz compassada que mal conseguia ouvir, começou sua narrativa.&lt;br /&gt;- Meu marido morreu, há dois meses, com 99 anos. Que Deus o tenha! Mas, coitado, tava um caquinho. E ele queria chegar aos cento e doiiiissssssssssssssssssssssss. - e foi baixando a cabeça e eu pensei que ela estivesse esvaziando.&lt;br /&gt;- Mas ele viveu bastante... aproveitou a vida. – acrescentei.&lt;br /&gt;- Aproveitou até demais aquele sem-vergonha. – levantando-se abruptamente. E continuou. - Velho safado. O senhor não imagina o que o Arnaldo aprontou em vida. Sinto pena do diabo... pois é claro que ele está no inferno.&lt;br /&gt;De repente ficou em silêncio. Baixou a cabeça, novamente, e quase sumiu do meu campo de visão.&lt;br /&gt;- Mas como é mesmo que seu marido morreu? – perguntei.&lt;br /&gt;- Vinte e um tiros. – acordando do seu breve repouso.&lt;br /&gt;- O seu marido levou vinte e um tiros...&lt;br /&gt;- Ele era tenente-coronel. Lutou na 2a Grande Guerra. Teve honras militares e foi saudado com vinte e um tiros pelos soldados do Exército. O velório foi muito bonito. Nem merecia aquele desgraçado. Enfim, que o demônio o tenha. Por mim, que queime nas labaredas profundas do inferno.&lt;br /&gt;- É, mas foi uma bela homenagem.&lt;br /&gt;- E sabe o que ele me deixou? Uma porcaria de uma pensão e uma sobrinha meio lelé. Sabe... problemas. – e apontava com o dedo indicador para a própria cabeça. – E como eu rezei para aquele infeliz ir embora. Foi, e foi tarde, e me deixou com uma louca varrida. Aí que eu queria chegar moço. Aquela doida quer que eu faça o penhor dessas coisas aqui. Ela quer comprar um vestido de noiva com o dinheiro desse penhor.&lt;br /&gt;Colocou sobre o guichê, três sacos plásticos com latinhas vazias de cervejas para serem penhoradas na Caixa. Pasmo, eu fiquei sem o que dizer. Ela continuou.&lt;br /&gt;- Eu sei que a Caixa não penhora latas, mas eu não posso contrariar a Deoclécia. Ela me obrigou a trazer as latas para vocês avaliarem. Aquela mulher é louca, ela bate em mim.&lt;br /&gt;Lembrei-me daquela gostosa do Big Brother que dizia “ninguém merece”. E ainda por cima no final de uma sexta-feira véspera de feriadão. Como é que essa mulher passou pela porta giratória? E só latas de cerveja, nenhuma coca diet. Mas essa “véia” bebe! – pensei cá com os meus botões.&lt;br /&gt;- Moço, eu quero que o senhor escreva isso num papel. – falou mais pausadamente que o normal. – “A Caixa não faz penhor de latas”. E assine e ponha o seu carimbo. Eu levo para ela, senão ela é capaz de me bater. Sabe! Ela tem a mão pesada.&lt;br /&gt;Então escrevi.&lt;br /&gt;“A Caixa Federal não faz penhor de latas de cerveja. Somente aceitamos jóias de ouro”. Assinei e coloquei meu carimbo.&lt;br /&gt;- Tem que ter o carimbo da Caixa. Moço! Aqui não tem o carimbo da Caixa...&lt;br /&gt;Peguei o carimbo de cruzamento de cheques e coloquei logo abaixo do meu.&lt;br /&gt;- Pronto.&lt;br /&gt;- Agora sim. Bom final de semana, moço.&lt;br /&gt;E se foi curvadinha. Lentamente, arrastando os sacos com as latas vazias.&lt;br /&gt;Ninguém merece...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2586213179148378544-3441003749244591490?l=joiasdopenhor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/3441003749244591490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2586213179148378544&amp;postID=3441003749244591490' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/3441003749244591490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/3441003749244591490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/2008/01/o-penhor-das-latinhas.html' title='O penhor das latinhas'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544.post-1792535203749453201</id><published>2008-01-15T15:53:00.000-08:00</published><updated>2008-01-15T15:54:48.723-08:00</updated><title type='text'>Agente funerário</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Parte I – Caixa Econômica Federal&lt;br /&gt;Athos Ronaldo Miralha da Cunha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não lembro direito, mas era uma sexta-feira 13 de um agosto sem graça.&lt;br /&gt;De repente, como por encanto, a tarde de Santa Maria tornou-se escura, nuvens negras fecharam o tempo e relâmpagos e trovadas alvorotaram os passantes. Correrias e passadas largas agitavam o Calçadão e a praça Saldanha Marinho.&lt;br /&gt;Do alto do prédio da Caixa observamos as luzes do centro anunciando a noite que chegara mais cedo. Alguém comentou em adicional noturno, mas não dei muita importância.&lt;br /&gt;O recinto do penhor estava vazio. Estou absorto lendo os editoriais do Conta Corrente quando um ser, que tinha todas as feições de um terráqueo, simplesmente surgiu diante de meu guichê.&lt;br /&gt;- Boa noooooite! – falou com uma voz meio barítona, meio metálica.&lt;br /&gt;- Boa... tarde. – respondi refazendo-me do susto.&lt;br /&gt;Sinistro e misterioso o cidadão postava-se em minha frente. Usava um chapéu e luvas pretas e uma capa estilo Matrix. Ele não sorriu, mas eu percebi um brilho de metal nobre nos caninos.&lt;br /&gt;Os instantes que antecederam a confecção do contrato de penhor foram travados com perguntas minhas e respostas monossilábicas ou com apenas uma única palavra do misterioso mutuário.&lt;br /&gt;- Seus documentos por gentileza.&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Seu comprovante de residência.&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;Mesmo assim resolvi fazer o seu cadastro. Estava curioso para ver o tipo de jóias.&lt;br /&gt;- Sua profissão?&lt;br /&gt;- Agente...&lt;br /&gt;- De polícia?&lt;br /&gt;- Funerááário.&lt;br /&gt;- Agente funerário. – repliquei baixinho.&lt;br /&gt;- Funeráááááário. - aquele vozeirão retumbou no recinto.&lt;br /&gt;Não sei se foi impressão minha, mas o segundo funerário tinha o dobro de “a” do primeiro.&lt;br /&gt;- Endereço? – também comecei a economizar as palavras.&lt;br /&gt;- Bozano.&lt;br /&gt;- Número?&lt;br /&gt;- Meia, meia, meia.&lt;br /&gt;- Apartamento?&lt;br /&gt;- Meia, meia.&lt;br /&gt;- Cidade?&lt;br /&gt;- Santa. – para quem não sabe: Santa Maria.&lt;br /&gt;- O senhor trouxe as jóias?&lt;br /&gt;- Trouxe.&lt;br /&gt;Ficamos por alguns segundos sem falar. Eu esperando as jóias e ele, certamente, esperando mais uma pergunta. Mas essa eu iria ganhar. Não perguntei pelas jóias. Fiquei aguardando. Olhando para ele com uma cara de taxo.&lt;br /&gt;- Ah! – botou a mão no bolso e tirou um saquinho.&lt;br /&gt;Despejou sobre o guichê 24 caveirinhas de ouro com dois diamantes de 15 pontos nos olhos.&lt;br /&gt;Então, comecei a pesar e medir os diamantes. Quando fui explicar o valor a ser recebido ele falou.&lt;br /&gt;- A cruuuz. – novamente, falou com uma voz meio barítona, meio metálica.&lt;br /&gt;Eu havia esquecido uma cruz de ouro branco cravejada com esmeraldas.&lt;br /&gt;- A cruz. – sussurrei.&lt;br /&gt;- A cruuuuuuz.&lt;br /&gt;Não sei se foi impressão minha, mas, novamente, a segunda cruz tinha o dobro de “u” da primeira.&lt;br /&gt;Quando fui dizer o quanto levaria pelas caveiras e pela cruz ele argumentou.&lt;br /&gt;- O morceeeeego. – com aquela voz de causar arrepio na espinha.&lt;br /&gt;E, novamente, eu havia esquecido um raio dum morcego de ouro com olhos de rubi. Esse cara está de brincadeira comigo. As jóias, simplesmente, apareciam no balcão.&lt;br /&gt;Antes de falar o valor verifiquei se não havia nada em cima do guichê para ser avaliado.&lt;br /&gt;- O senhor vai depositar o dinheiro?&lt;br /&gt;- Não. Vou levar para o Banco do Brasil. – essa foi a única frase dita pelo cidadão.&lt;br /&gt;Entreguei o dinheiro. E o misterioso mutuário saiu lentamente. De repente virou-se e disse. – Boa nooooooite.&lt;br /&gt;Nesse momento um estrondo de um trovão iluminou a praça e, imediatamente, uma chuvarada inundou o centro da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte II – Banco do Brasil&lt;br /&gt;Raul Giovani Cezar Maxwell&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava preparando-me para ir embora, estava no final do expediente externo quando olhei para fora, no exato momento em que ribombavam trovões no céu de Santa Maria. As nuvens trouxeram uma escuridão noturna quando estava apenas próximo às 16 horas. Olhei meu relógio procurando os ponteiros encostados no doze e no quatro, mas incrivelmente eles estavam ambos sobre o 12. Achei estranho. Algo mais estranho ainda estava por vir. Uma criatura estranha. A porta pareceu girar sem que ele a tocasse.&lt;br /&gt;Sinistro e misterioso o cidadão postava-se em minha frente. Usava um chapéu e luvas pretas e uma capa estilo Matrix. Ele não sorriu, mas eu percebi um brilho de metal nobre nos caninos.&lt;br /&gt;Olhei para os colegas, mas eles não pareciam ver o que eu via. É o treze, pensei, de agosto, sexta-feira. O cheiro de esgoto, que eu sentia, devia ser da enxurrada lá fora.&lt;br /&gt;Então ele falou, lúgubre, com um hálito próximo a dois Cadenas:&lt;br /&gt;- Boa Noooooooite!&lt;br /&gt;- Boa - respondi idêntico julgando ser de brincadeira, apesar do calafrio provocado pelas vogais sibiladas e repetidas.&lt;br /&gt;- Em que posso ajudá-lo? – eu ouvia o eco de nossas vozes devido ao silêncio sepulcral do restante da agência.&lt;br /&gt;- Queeeerooo liiiiquidaaaar... - começou ele enquanto eu sentia latejar minha jugular.&lt;br /&gt;Passei a mão no pescoço por instinto ao perceber os dentes pontiagudos e amarelados.&lt;br /&gt;- Liquidar...?&lt;br /&gt;- Um CeDeeeeCeeee – terminou consoante a minha frente&lt;br /&gt;Não falei, mas pensei. Em seu caso CDC seria Caixão de Defunto Consignado. Sorri por dentro. Apesar de tudo não perderia a piada.&lt;br /&gt;- Número da conta, por favor, e seu nome... – pedi.&lt;br /&gt;- 66.666-6 Vlaaaad Karloooof – a voz parecia sair direto da garganta sem passar pela boca.&lt;br /&gt;Calculei a dívida e me arrepiei novamente. Mais meia dúzia de seis.&lt;br /&gt;Ele não esboçava reação.&lt;br /&gt;- Por favor, o senhor pode ir depositar o valor no caixão. - falei rapidamente.&lt;br /&gt;Percebi o ato falho e corrigi logo&lt;br /&gt;-... No caixa.&lt;br /&gt;Fiquei observando o seu deslocamento. Nada aparecia sob a capa longa que cobria todo seu corpo, aparentemente magro e ossudo, parecia flutuar. Fechei os olhos e os esfreguei para ver se não era um sonho. Quando os abri novamente ele já estava ali a minha frente de novo. Meu sangue gelou em todo meu corpo, menos na jugular. Ali, parecia ferver.&lt;br /&gt;Ele me fitava e parecia agradecer o atendimento, quando tive uma idéia repentina.&lt;br /&gt;- Posso tirar uma foto do senhor? Antes que ele respondesse puxei a máquina da gaveta e apertei o disparador. O flash se confundiu com o relâmpago na rua. Ele girou rápido como a se proteger do clarão, puxou a capa sobre os olhos e num átimo já estava na escuridão, sumindo por entre a locomotiva e a biblioteca. Outro piscar de olhos e a chuva parou e o dia voltou ao seu lugar.&lt;br /&gt;O medo que me restou era que, ao revelar o filme, se revelasse que tudo não passou de uma ilusão de ótica, fruto do estresse de um final de sexta-feira. Treze de Agosto. Hoje, de estranho, apenas duas manchinhas roxas em meu pescoço.&lt;br /&gt;A foto? A foto foi utilizada na campanha salarial 2007.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2586213179148378544-1792535203749453201?l=joiasdopenhor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/1792535203749453201/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2586213179148378544&amp;postID=1792535203749453201' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/1792535203749453201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/1792535203749453201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/2008/01/agente-funerrio.html' title='Agente funerário'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544.post-8427716693491022384</id><published>2008-01-10T15:16:00.000-08:00</published><updated>2008-01-10T15:17:19.106-08:00</updated><title type='text'>O senhor conheceu o Getúlio?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Essa foi a pergunta que a mutuária fez após tecer rasgados elogios ao ex-presidente e maldizer o mês do cachorro louco. Estávamos no dia 06 de agosto e lamentávamos as vítimas das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki no Japão há mais de 60 anos.&lt;br /&gt;Mas o questionamento me pegou no contrapé. Com a guarda baixa e meio desatento. Afinal, era a primeira cliente do dia.&lt;br /&gt;- O senhor conheceu o Getúlio?&lt;br /&gt;Pensei em responder, de pronto, que havia sido amigo de infância de Getúlio Vargas, que tinha jogado bolinhas de gude lá na fazenda Itu, que até pelas barrancas do rio Uruguai havíamos andado juntos, mas a minha reação foi, apenas, um seco e engasgado. - Hein!!??&lt;br /&gt;Ela continuou com seus acalorados elogios ao Getúlio Vargas e ao glorioso partido trabalhista.&lt;br /&gt;- Quando o Getúlio morreu houve uma comoção no Brasil. O país inteiro chorou. Eu fiquei uma semana lamentando sua morte. Sabe... eu perdi um pai. – comentou chorosa.&lt;br /&gt;O que eu achei lastimável.&lt;br /&gt;Ela dissertou sobre os feitos do Pai dos Pobres e que nem as mortes de Airton Sena e Tancredo Neves e as comemorações do Penta colocaram tanta gente nas ruas como a morte do Gegê. (O Gegê ela falou suspirando, com a voz embargada).&lt;br /&gt;“E nem o Médice eu havia conhecido...” – retruquei em pensamento.&lt;br /&gt;Quase em prantos, mas com os olhos marejados pela saudade do ex-presidente trabalhista foi-se com seu penhor de R$ 350,00.&lt;br /&gt;Impressionado com a pergunta da cliente. O senhor conheceu o Getúlio? Fui direto ao encontro de um espelho inspecionar a minha fachada. Tudo bem. Não sou um Leonardo Di Caprio, um Tom Cruise, mas também não sirvo para Derci Gonçalves. Tenho os cabelos nevados há mais de cinco anos e um cavanhaque mesclado entre o preto e o branco e feições de um velho rabugento. Será que eu estou meio acabadinho?&lt;br /&gt;Ela me chamou de velho, mas também relegou uma certa importância, afinal, quem conheceu Getúlio, não poderia ser um qualquer. Diante de um juiz eu não seria um pé de chinelo. E esse foi o meu único consolo.&lt;br /&gt;Dois ou três atendimentos posteriores uma senhora, dona de um laboratório fotográfico, me oferece um brinde de umas fotos 20x25.&lt;br /&gt;- Leve seus netos lá que a gente bate umas fotos bem bonitas.&lt;br /&gt;“Que fase!!!” - pensei cá com os 150 botões da minha bombacha preta. Tive a impressão que as palavras seus netos tiveram uma ênfase irônica.&lt;br /&gt;O final do dia ainda me reservaria algumas emoções no âmbito da terceira idade.&lt;br /&gt;Um pedreiro que foi fazer o conserto de uma porta lá em casa, perguntou para minha esposa se ela era minha filha.&lt;br /&gt;É claro que minha esposa ficou radiante. Saltitante e com um sorriso de orelha.&lt;br /&gt;- Ganhei o ano!! Ganhei o ano!! Ganhei o ano!! – esbravejava casa adentro.&lt;br /&gt;O serviço custou R$ 20,00 e ela pagou R$ 70,00.&lt;br /&gt;Uma Mega-sena acumulada não causaria tanta felicidade. O que faz umas simples palavras na mente de uma mulher! Uma semana após todo o bairro sabia que ela era minha filha. Eu achei que o tal fulano deveria ser um portador de necessidades especiais. E fiquei preocupado com o prumo da porta. Ofertá-lo com uma consulta ao oftalmologista poderia ser a minha contrapartida.&lt;br /&gt;Alguém aí conheceu o Getúlio? Médice? Collor?&lt;br /&gt;Preciso, urgentemente, de uma receita caseira do Grecin 2000.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2586213179148378544-8427716693491022384?l=joiasdopenhor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/8427716693491022384/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2586213179148378544&amp;postID=8427716693491022384' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/8427716693491022384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/8427716693491022384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/2008/01/o-senhor-conheceu-o-getlio.html' title='O senhor conheceu o Getúlio?'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544.post-5479050020767725046</id><published>2008-01-09T12:34:00.001-08:00</published><updated>2008-08-02T19:58:24.474-07:00</updated><title type='text'>O penhor do Pinto Rosa *</title><content type='html'>Certa tarde, de um dia quente desse nosso verão escaldante, entra no recinto do penhor, um senhor alto, todo banhado em suor. Um gringo magro do interior de Anta Gorda com uma larga vivência urbana, esperto e conversador. Dirige-se diretamente ao avaliador de penhores, que estava absorto na leitura de um informativo do sindicato com notícias sobre as negociações salariais.&lt;br /&gt;- Boa tarde, moço.&lt;br /&gt;- Boa tarde.&lt;br /&gt;- Aqui dentro tá fresquinho, não imagina como está lá fora. Chove torrencialmente, olhe como estou molhado. – e sorriu de sua própria piadinha.&lt;br /&gt;- Águas caindo. - retorquiu o avaliador, mas o vivente não entendeu o trocadilho.&lt;br /&gt;Queria obter informações sobre o penhor, suas vantagens, desvantagens e se as jóias estariam seguras no banco. Tinha muito medo de roubo e não queria amargar a perda de suas jóias que possuíam um grande valor de estimação, sendo que algumas delas vieram da Itália quando seus avós migraram para o sul do Brasil.&lt;br /&gt;Após obter as informações necessárias e ser tranqüilizado acerca de tal operação e de sua segurança, disse que já era cliente do penhor de uma agência em Porto Alegre, mais precisamente o posto de Penhor da Praça da Alfândega.&lt;br /&gt;- Então o senhor vai trazer suas jóias de Porto Alegre? O senhor deseja pagar o resgate?&lt;br /&gt;- Não, eu já estou com elas aqui... eu quero fazer o penhor.&lt;br /&gt;- O senhor vai fazer o penhor hoje?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Então, vou precisar da sua Carteira de Identidade, do CPF e de um comprovante de residência.&lt;br /&gt;O seu Valphrido Pinto Rosa passou a documentação para o avaliador. Para entregar as jóias a serem avaliadas, pediu licença, levantou-se, virou um pouco de lado, de frente para a parede.&lt;br /&gt;- Tem que ser meio “escondidito”. – comentou o senhor Pinto Rosa, que naquele momento estava num vermelhão só.&lt;br /&gt;Abriu o zíper da calça, todo desajeitado e atrapalhado, enfiou a mão com uma certa demora, talvez pelo difícil acesso. Antes mesmo de o avaliador, meio assustado, dizer que “pinto” a Caixa ainda não aceitava como garantia para fins de empréstimo, mesmo que dito cujo fosse rosa, o cidadão, ali em frente, retirou de dentro de sua calça um pacote envolto em papel branco e amarrado com atilhos.&lt;br /&gt;- Quero penhorar estas jóias. E tem aí um baita diamante rosa de um quilate. – falou como se tivesse lido os pensamentos do avaliador.&lt;br /&gt;- Ahãn... ahãn... – grunhiu o avaliador duvidando do gringo.&lt;br /&gt;Largou o pacote em cima da mesa e mais que depressa fechou o zíper e estatelou-se na cadeira. Agora o senhor Pinto Rosa estava branco como uma folha de papel. O suor corria-lhe pela testa, embora o ar condicionado do ambiente estivesse funcionando normalmente. Nesses tempos de dólares em cuecas, que mal teria um valioso diamante rosa na cueca do seu Valphrido Pinto Rosa?&lt;br /&gt;O avaliador, com o constrangimento devido a tal situação ser inusitada num posto de penhor, solicitou, com a maior delicadeza possível.&lt;br /&gt;- O senhor desfaça o pacote, por gentileza.&lt;br /&gt;Provavelmente com um pouco de receio em tocar no invólucro branco e suado das jóias, que certamente ladrão nenhum jamais encontraria.&lt;br /&gt;Com uma análise rápida e visual, o lote, de seis anéis, um deles com o tal diamante rosa, três colares e quatro pulseiras, foi considerado como jóias de ouro 18 quilates e em bom estado de conservação. Pularam da mesa para a balança e da balança para o envelope com o lacre da Caixa, o mais rápido possível. Total da avaliação R$ 1.860,00.&lt;br /&gt;E o seu Valphrido Pinto Rosa saiu do penhor cheio dos pilas, diga-se de passagem, com toda a grana na cueca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Classificada no Concurso Histórias de Trabalho 2007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2586213179148378544-5479050020767725046?l=joiasdopenhor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/5479050020767725046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2586213179148378544&amp;postID=5479050020767725046' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/5479050020767725046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/5479050020767725046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/2008/01/o-penhor-do-pinto-rosa.html' title='O penhor do Pinto Rosa *'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544.post-5889876828495950130</id><published>2008-01-09T12:25:00.000-08:00</published><updated>2008-01-09T12:26:52.043-08:00</updated><title type='text'>Luiza Tatuagem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela entrou exuberante.&lt;br /&gt;Com um trejeito de top model desfilou pelo recinto do penhor. Sentou-se em uma poltrona bem em frente ao meu guichê. Uma fábula, uma tentação, um terrorismo biológico arrasando corações. Loura, esbelta e com um bronzeado de fevereiro em pleno novembro chuvoso.&lt;br /&gt;Após alguns minutos, ao chamar a senha 24, o monumento ambulante encaminha-se em minha direção. De repente aquele World Trade Center humano desaba sobre a banca de atendimento, apoiada apenas nos belos cotovelinhos acastanhados de sol. Os seus maravilhosos olhos verdes, da mais pura reação do ácido clorídrico com o cobre, sorriem para mim.&lt;br /&gt;- Ooooooiiiii!&lt;br /&gt;- Bom dia. &lt;br /&gt;Após analisar os quatro anéis e duas pulseiras, devolvendo-lhe um colar de prata, comunico que pelo prazo desejado ela levaria pelo lote a quantia de R$ 69,00.&lt;br /&gt;- Meia nove?&lt;br /&gt;- Sim, por este lote tu levas R$ 69,00.&lt;br /&gt;- Só meia nove?&lt;br /&gt;- Infelizmente...&lt;br /&gt;- Tudo bem vou fazer o penhor.&lt;br /&gt;Para digitação do cadastro peço a sua documentação: Carteira de identidade, CPF e comprovante de residência. Ao ver sua carteira verifico que o nome no documento não combinava com a pessoa em minha frente. Antecipadamente ela responde a pergunta que eu ainda não tinha feito. &lt;br /&gt;- Sou eu mesma. Viste os meus cabelos... quanta diferença!&lt;br /&gt;Chamava-se Luiz Valdemar do Couto Barbosa.&lt;br /&gt;No vaivém da conversa contou-me que em sua adolescência havia jogado de quarto-zagueiro no Grêmio Santanense de Livramento. Era conhecido como Parada Barbosa. Nenhum atacante passou incólume pela mais famosa muralha juvenil da fronteira sul do Rio Grande.&lt;br /&gt;Hoje era apenas a Luiza Tatuagem.&lt;br /&gt;- Tatuagem?&lt;br /&gt;- Aqui não é o lugar mais apropriado para eu te mostrar a tatuagem.&lt;br /&gt;- Bom! Luiz... Luiza, por gentileza o teu endereço?&lt;br /&gt;- Eu moro na rua Conde D’Eu, dois, meia, nove.&lt;br /&gt;- Conde o quê?&lt;br /&gt;- D’Eu, dois meia nove.&lt;br /&gt;- Ah!&lt;br /&gt;Após receber a quantia combinada, levanta-se abruptamente e dá meia volta, seus longos cabelos louros esvoaçam e fazem uma varredura no meu guichê. De súbito, joga o nariz para o alto e se vai exuberante como uma top model desfilando pelo recinto do penhor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2586213179148378544-5889876828495950130?l=joiasdopenhor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/5889876828495950130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2586213179148378544&amp;postID=5889876828495950130' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/5889876828495950130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/5889876828495950130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/2008/01/luiza-tatuagem.html' title='Luiza Tatuagem'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544.post-3515694081236402151</id><published>2008-01-07T15:21:00.000-08:00</published><updated>2008-01-07T15:22:16.653-08:00</updated><title type='text'>Bondosa velhinha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Chamava-se Anita Maria Garibaldi Deodora Prestes da Fonseca. Uma bondosa anciã. Morava em um distrito de Santa Maria e vinha todo santo mês pagar a prestação de seu financiamento habitacional no caixa da Caixa.&lt;br /&gt;Diante da simpatia e das atitudes amáveis daquela bem-falante senhora, certa vez, resolvi fazer um comentário sobre o seu nome. Um nome imponente que desde o primeiro dia aguçou minha curiosidade sobre sua origem.&lt;br /&gt;- A senhora tem um interessante e bonito nome, presta homenagens a várias figuras da nossa história. De antemão, percebe-se que seus pais eram pessoas cultas.&lt;br /&gt;E comecei minha divagação:&lt;br /&gt;- Anita Garibaldi foi uma guerreira, valente farrapa e incansável companheira do grande e também herói farroupilha Giuseppe Garibaldi; Deodoro da Fonseca proclamou a República do Brasil e foi o nosso primeiro presidente e por fim seu nome homenageia Luiz Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança, um dos maiores ícones da esquerda brasileira. Um revolucionário por excelência. Foi preso e torturado, viveu boa parte de sua vida na clandestinidade lutando pela justiça e pela liberdade que acreditava.&lt;br /&gt;Imaginei que um elogio desses a bondosa velhinha jamais havia recebido.&lt;br /&gt;A fisionomia de D. Anita Maria enrubesceu, transformou-se do outro lado do guichê e soltou o verbo acerca do seu nome.&lt;br /&gt;- Olha moço! Anita Garibaldi foi uma vagabunda, abandonou o marido e foi viver com um depravado caudilho italiano metido a conquistador; Deodoro era um fracote, tão fraco que para proclamar a República levantou aquele chapéu velho e fedorento que usava. Em qualquer país civilizado e decente um herói de tamanha envergadura levantaria uma espada e descarregaria uma rajada de metralhadora no infinito azul do universo. O Prestes, um sem-vergonha grande. Traiu o exército e foi à moda caudilhesca com uma tropa pelo Brasil adentro, achando que resolveria os problemas do país. Não deu em nada. A intentona de 35 foi o seu maior fiasco. Moço! No meu nome só tem sem-vergonha e vagabundo. – sentenciou.&lt;br /&gt;No lado de cá do guichê fico estarrecido. Momentaneamente sem saber o que dizer. Quando me refaço do golpe, lembro de Nossa Senhora. Como sou devoto de Santa Maria, silenciei sobre qualquer comentário acerca da Maria do seu apoteótico nome.&lt;br /&gt;Dona Anita Maria ainda fez outros comentários sobre algumas personalidades da nossa história e encerrou o assunto com a alma lavada e um largo sorriso que iluminou sua face travessa.&lt;br /&gt;Arrumou seus pertences em sua inseparável bolsa, levantou-se lentamente e saiu. Repentinamente volta e fala baixinho para eu ouvir o seu último comentário:&lt;br /&gt;- Vou indo, pois o meu genro, o Getúlio, está me aguardando... aliás, um corno nessa história.&lt;br /&gt;E se foi, passo curto e ligeiro, para fora da agência, ao encontro do genro.&lt;br /&gt;E eu fiquei sem saber se o corno era o genro ou o saudoso trabalhista ex-presidente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2586213179148378544-3515694081236402151?l=joiasdopenhor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/3515694081236402151/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2586213179148378544&amp;postID=3515694081236402151' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/3515694081236402151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/3515694081236402151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/2008/01/bondosa-velhinha.html' title='Bondosa velhinha'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2586213179148378544.post-9029153179353382930</id><published>2008-01-06T06:35:00.000-08:00</published><updated>2008-08-02T19:59:58.848-07:00</updated><title type='text'>As abotoaduras do Conde *</title><content type='html'>No dia em que a Caixa comemorava os 145 anos, a temperatura ambiente estava insuportável e o ar condicionado da agência funcionava precariamente. Dona Alzira se aproxima do guichê, lentamente, pois os anos eram antigos para ela. Sorriu e sentou-se. Dona Alzira tinha as mãos trêmulas em virtude do Mal de Parkinson. Mas não se incomodava com seu infortúnio, inclusive, brincava com sua doença.&lt;br /&gt;- Sabe moço, ontem eu vi na televisão que a Caixa está fazendo 145 anos. Acho que aqui no penhor só a Caixa é mais velha do que eu. Nessa festa de aniversário eu toco pandeiro. E levantou, sorrindo, sua trêmula mão.&lt;br /&gt;- Mas Dona Alzira a senhora está bem...&lt;br /&gt;- Enrugadinha filho, bem enrugadinha e mais pra lá do pra cá.&lt;br /&gt;Revirou a bolsa em busca das jóias a serem penhoradas. O seu ventilador portátil fazia muito barulho e pouco vento. O suor corria-lhe pelo rosto.&lt;br /&gt;- Comprei essa “josca” nos camelôs. – comentou contemplando o insuficiente ventilador que portava. E continuou. - Bolsa de mulher o senhor sabe como é... finalmente! Moço, eu preciso levar R$ 700,00. Tenho que pagar a matrícula da minha neta na faculdade. Ela cursa Medicina, vai ser médica de louco. Aliás, uma loucura é o que se gasta! A gente deveria viver 145 anos para pagar todas as contas. - sorriu, novamente, com o seu espirituoso trocadilho.&lt;br /&gt;- A senhora vai precisar de um pouco mais de peso. Aproximadamente 35g de ouro.&lt;br /&gt;- Então, vão-se as abotoaduras do Conde.&lt;br /&gt;- Abotoaduras do Conde? – surpreendo-me com tamanha raridade no penhor. Não era todo dia que avaliávamos jóias oriundas da monarquia brasileira.&lt;br /&gt;- Sim, possuo essas jóias há muito tempo, são bens de família. Essas coroas gravadas nas abotoaduras combinam com as coroas gravadas no anel e nos brincos da Condessa. São muito lindas. Vou contar-lhe a história. – pausadamente continuou. - O meu marido era bisneto do Conde e essas jóias vieram passando, de geração em geração, desde os tempos do Império e acabaram em minhas mãos... e nos penhores da Caixa. Ah! Se o Conde soubesse! Deve estar se revirando...&lt;br /&gt;- E os brincos da Condessa? Eles não estão aqui. – indago.&lt;br /&gt;- Bem, o Conde e a Condessa não tiveram filhas, somente filhos. Por casualidade do destino os brincos estão comigo e bem guardados lá em casa, como também não tenho filhas, certamente, acabarão nos penhores da Caixa. - soltou uma gostosa gargalhada e complementou. – E continuarão nos penhores por mais 145 anos.&lt;br /&gt;Com a maior calma do mundo Dona Alzira prosseguiu com o relato familiar, a fila no recinto do penhor aumentava e impacientava alguns mutuários. Enquanto eu testava as abotoaduras do Conde, uma esbelta e formosa loira cruza as roliças e douradas pernas no banco em frente ao meu guichê e, por alguns segundos, me desconcentra.&lt;br /&gt;- Existe um quadro do dito cujo no departamento de Biologia da Universidade. Eu que coloquei na parede. – complementou.&lt;br /&gt;Dona Alzira contou que o Conde não era biólogo e quando trabalhava na Universidade era professora do Departamento de Biologia. Dava aulas na disciplina de fitologia. O quadro estava jogado em um canto do laboratório, como era uma moldura bonita e uma pintura antiga, resolveu colocar no hall do Centro. O quadro do Conde estava no prédio porque o Conde era bisavô do seu marido e o seu amado sogro era muito amigo de um antigo diretor do Centro de Ciências Naturais.&lt;br /&gt;- Filho, eu trabalhei uma vida inteira naquele prédio com o Conde olhando e fiscalizando o vaivém dos alunos e professores. Não gostava daquele olhar penetrante da pintura e daquela pose de almofadinha. Tinha uma costeleta que o Menem copiou e uma calvície igual a do Kojak. Você lembra do Kojak? O detetive? Ninguém mais lembra do Kojak. Sabe, o quadro do Conde não está mais lá. O senhor não imagina o que funciona, hoje, próximo do local onde estava o almofadinha?&lt;br /&gt;- Não faço a menor idéia.&lt;br /&gt;- O posto de atendimento da Caixa Econômica Federal. E se botarem um penhor lá eu penhoro as jóias do Conde.&lt;br /&gt;Sorriu longamente e levantou a mão trêmula. Fez um sinal de resignação com a cabeça e baixou o braço.&lt;br /&gt;- Moço, vai demorar muito? Que droga de ventilador!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* 1º lugar no concurso de crônicas Fenae 2007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2586213179148378544-9029153179353382930?l=joiasdopenhor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/feeds/9029153179353382930/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2586213179148378544&amp;postID=9029153179353382930' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/9029153179353382930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2586213179148378544/posts/default/9029153179353382930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://joiasdopenhor.blogspot.com/2008/01/as-abotoaduras-do-conde.html' title='As abotoaduras do Conde *'/><author><name>Athos Ronaldo Miralha da Cunha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09902938758843310857</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_rccM-VpyRjY/StDiukUhBvI/AAAAAAAAADc/_U6yP2iTUrY/S220/Feira+do+livro+2008+PoA+036.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
